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Luiz Carlos Merten

03 Agosto 2010 | 13h43

Fui ver ‘Os Mercenários’, do Stallone. Não vou dizer que é bom, nem poderia, mas gostei de ver e ouso dizer que há um bom filme ali dentro. Stallone assume que está caído e enche o filme de ironias – seu encontro com Schwarzenegger e Bruce Willis, o cansaço, cada vez que tem de correr –, mas não resiste ao exagero. O filme tem lutas demais, explosões demais e a tomada do castelo, no desfecho, é longa e barulhenta também demais. Dá vontade de pedir – menos, Sly, menos. Mas tem este belo momento. Mickey Rourke, de quem vocês sabem que eu não gosto, reflete sobre os tempos em que Stallone e ele combateram na Bósnia e de como poderia ter-se salvado, resgatando aquela vida que valeria todas as outras que ceifou. É um conceito da Torá, uma vida vale todas as vidas. Rourke, todo esbagaçado, diz aquilo com uma sinceridade que, para mim, pelo menos, aqueles três ou quatro minutos valem todo o filme de Darren Aronofsky que o tirou do limbo, ‘O Lutador’. E ‘Os Mercenários’ tem Jason Statham. O cara é f… É um grande lutador e segura a onda nas cenas ‘dramáticas’. Pode não ser ‘ator’, mas sua persona é forte e ele convence. O filme foi feito no litoral do Rio, simulando uma ilha do Golfo, Vilena. Giselle Itiê, que não conhecia – não vi ‘Bela, a Feia’ – é outra que segura a onda. E é bonita, no estilo Alessandra Negrini. No limite, ‘Os Mercenários’ é ‘The Wild Bunch’, sem Peckinpah. A ação não se passa no Velho Oeste, mas os heróis estão cansados ou em crise e a mística do grupo permanece a mesma. Para todos – Stallone, Rourke, Statham, Jet Li etc –, a amizade viril é a salvação. Pode ser meu lado trash, mas essas coisas me tocam, como o pai militar que reconhece que pisou na bola com a filha e diz que ela é é o que ele gostaria de ter continuado a ser. Bonito pacas.