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Luiz Carlos Merten

23 Fevereiro 2008 | 12h27

Que coisa! Meu post anterior havia sido sobre uma morte, a de Alain Robbe-Grillet, ocorrida no fim de semana passado, e agora eu volto com outra morte, a de Rubens De Falco. Nem preciso lembrar a importância dele na história da TV brasileira, como protagonista, com Lucélia Santos, de uma novela que correu mundo – ‘A Escrava Isaura’. Rubens De Falco faz parte da minha memória afetiva graças a um filme que carrego sempre comigo, ‘Coronel Delmiro Gouveia’, sobre o pioneiro da industrialização no País. É bem coisa minha, mas há um certo número de filmes que são os meus cults. Quando usei ‘São Paulo S.A.’ como paradigma para falar do cinema brasileiro no livro ‘Cinema, Um Zapping de Lumière a Tarantino’, há 13 anos, o filme de Luis Sérgio Person já era um clássico, mas não se falava tanto dele. Pois ‘Coronel Demiro Gouiveia’, com ‘Marília e Marina’, ‘Possuída por Mil Demônios’ e ‘A Lenda de Ubirajara’, três filmes que nunca mais revi – e não por falta de vontade -, estão sempre vivos na minha lembrança. Tenho o maior respeito pelo Sarno, que fez um dos grandes documentários da história do cinema brasileiro, mesmo que ‘Viramundo’ seja um curta que foi integrado a uma coletânea, ‘Brasil Verdade’. Outros curtas que compõem aquele filme múltiplo ostentam a fama de clássicos – ‘Memórias do Cangaço’, de Paulo Gil Soares, e ‘Subterrâneos do Futebol’, de Maurice Capovilla, mas o meu favorito é ‘Viramundo’. Numa rara incursão pela ficção, Sarno fez ‘Coronel Delmiro Gouveia’ e eu lhe vou sempre agradecer por haver oferecido aquele grande papel a Rubens De Falco. Era, como se diz, um ator de linhagem. Um homem bonito, elegante, de gestos viris. Fica este meu modesto tributo ao Rubens e ao Coronel Delmiro Gouveia.

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