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Luiz Carlos Merten

05 Junho 2007 | 10h42

Escrevi o post anterior, enorme, sobre Rossellini, mas tenho de voltar a ele para acrescentar duas ou três coisas. Truffaut amava Rossellini porque, entre outras coisas, ele mostrou que arte e vida estão interligadas. Rossellini teve uma fase fascista (no começo de sua carreira) e foi sempre um arraigado católico, num país (a Itália) que não reconhecia o divórcio. Isso não o impediu de ser um grande sedutor, muito menos de ter fases de sua carreira que podem ser identificadas pelas mulheres de sua vida. A mais intensa foi a com Ingrid Bergman (seis filmes), mas Rossellini também teve o seu momento Anna Magnani e o Sonali Das Gupta (quando foi filmar na Índia). Lembro-me agora que foi sobre a Índia que ele fez seu primeiro documentário para TV, no fim dos anos 50, antes de A Idade de Ferro, que é de 1964. Para um romântico como Truffaut, que fazia filmes para dormir com as atrizes que amava – foi o que me disse o ex-assistente dele, Patrice Leconte –, Rossellini era um modelo comportamental, não apenas estético. Para entender a complexidade de Rossellini, não é possível separar sua vida amorosa da artística. Não é ceder ao gosto da fofoca, é simplesmente que uma alimenta a outra. É o que percebe Tag Gallagher, cujo livro sobre Rossellini talvez seja o melhor sobre um grande diretor.

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