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Luiz Carlos Merten

13 Dezembro 2007 | 15h53

Olá, somente agora, quase 4 horas da tarde, estou conseguindo acrescentar meu primeiro post do dia. Não vai ser para dar prosseguimento às listas de ‘Cinema Retro’, que vão ficar para depois. Mas, antes de comentar as indicações do Globo de Ouro, quero dizer que hoje de manhã entrevistei Rodrigo Santoro, que me contou coisas muito interessantes sobre os filmes que fez nos últimos meses com Steven Soderbergh – dividido em duas partes, ‘O Argentino’ e ‘A Guerrilha’, em que interpreta Raul Castro, que apresentou o Che ao irmão Fidel – e Pablo Trapero. A carreira internacional de Rodrigo vai muito bem e ele me falou coisas muito bacanas sobre o filme do Che, que Soderbergh fez questão de filmar em espanhol, incluindo sua pesquisa em Havana, aonde foi com o preparador Sérgio Pena, tendo viajado de mula e jegue para chegar ao coração de Sierra Maestra, no histórico acampamento de onde Fidel liderou a revolução que derrubou Fulgêncio Batista. Vou guardar a entrevista para o ‘Caderno 2’, mas depois eu conto aqui coisas que achei muito interessantes no relato de Rodrigo e que acho que não vou poder usar na íntegra na matéria para o jornal (por problema de espaço, não de censura). Como Rodrigo tinha de voltar correndo para o Rio, fui com ele de carro para o aeroporto e depois fiquei por lá, conversando. É impressionante, mas no início, de boné e óculos escuros, Rodrigo estava passando despercebido, mas quando foi identificado foi aquela coisa. Abraços, pedidos de autógrafos. Gosto muito do Rodrigão e não esqueço o que até hoje foi uma grande emoção para mim – já havia visto ‘Bicho de Sete Cabeças’, filme de Laís Bodanzky pelo qual tenho um carinho muito grande, quando foi exibido, em competição, no Festival de Brasília. Rodrigo, astro da Globo, foi recebido com uma vaia monumental pela garotada politizada do festival, que queria, por meio dele, agredir a emissora. No final, Rodrigo ganhou a platéia e achei muito bacana o cara que, chorando, foi se desculpar com ele. O cinema pode não mudar o mundo, mas muda as pessoas e elas é que mudam o mundo. Acho que nunca comentei com vocês, mas existem dois ou três filmes sobre a revolução cubana que me interessam bastante. Não estou falando do mamute siberiano de Mikhail Kalatozov, por mais deslumbrantes que sejam algumas cenas – em portentosos planos-seqüências – de ‘Soy Cuba’, de 1964. Adoro, acho geniais, as cenas cubanas de ‘O Poderoso Chefão – Parte 2’, de Francis Ford Coppola, e, se a memória não estiver me traindo, ‘Cuba’, de Richard Lester, com Sean Connery e Brooke Adams, é muito bom. Prefiro esquecer ‘Havana’, aquele ‘Casablanca’ que não deu certo, de Sydney Pollack, com Robert Redford e Lena Olin. Mas a grande cena é mesmo a do ‘Chefão 2’, no encontro com Lee Strasberg, quando os mafiosos e representantes da CIA fatiam aquele bolo que tem o formato da ilha. Aquilo é coisa de gênio.