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Luiz Carlos Merten

29 Outubro 2008 | 12h15

Não tive tempo de postar nada ontem no final da tarde. Fui ver ‘Rockenrolla’ na cabine da Warner, em Alphaville, e terminei pegando uma Marginal parada, o que forçou o motorista a fazer um caminho de volta por dentro, pela Freguesia do Ó. Fiquei mais de uma hora no carro, mas confesso que foi uma ‘viagem’ bem interessante pela periferia de São Paulo. Moro em Pinheiros, circulo muito pela Paulista, até por conta das minhas atividades profissionais, mas acho que São Paulo a gente só conhece mesmo é pelas bordas. Vi cada rua esbodegada que… Vou te contar: não servem como cartão postal. Aliás, a própria esquina mais famosa de São Paulo, a da Ipiranga com São João, é a imagem do abandono, mas deixa pra lá. Resumindo – cheguei ao jornal, redigi correndo um texto para a edição de amanhã do ‘Caderno 2’ e me mandei para o Shopping Frei Caneca, para o lançamento de sei lá quantos livros da Coleção Aplauso, acho que uns 30. Lá estavam Vladimir Carvalho, Ivan Cardoso, Regina Braga, Marta Góes, Walmor Chagas, Drauzio Varela, Djalma Limongi Batista, Vilmar Ledesma, Eliana Castro etc. Foi legal encontrar todo esse pessoal. Hoje pela manhã, ia para o Rio, para um evento da HBO – a visita ao set de ‘Filhos do Carnaval’. Cheguei a ir para o aeroporto, mas desisti, para participar da votação da crítica que escolheu o melhor filme da Mostra. Não vou antecipar qual foi, mas fiquei feliz com o resultado. Tenho dado mais sorte com a Mostra do que na votação da APCA, a Associação Paulista dos Críticos de Artes, onde costumo ser voto vencido. Hoje a crítica se comportou como deve, como farol, e não a reboque de preferências que, às vezes, me parecem esdrúxulas, mas os coleguinhas devem pensar a mesma coisa de mim. O que quero dizer é que peguei o livro de Vilmar Ledesma sobre Louise Cardoso para ler no avião e, mesmo sem viagem, estou avançando na leitura. Louise é uma bela personagem por sua experiência no teatro, cinema e TV, mas também porque eu acho que ela não encarnou Leila Diniz por acaso, naquele filme do Luiz Carlos Lacerda sobre a mulher que sintetizava todas as outras. Ufa! Depois de todo esse vaivém, vou chegar ao ponto deste post. Gostei demais de ‘Rockenrolla’. Nunca imaginei que um filme de Guy Ritchie, o ex-Sr. Madonna, ia me provocar uma tal excitação. Acho que ‘Rockenrolla’1 é o filme que, no limite, tem mais reviravoltas, entre todos a que assisti ultimamente – mais do que ‘007 – Quantum of Solace’ -, e esta estrutura ‘acumulativa’, até fechar um círculo, me pareceu fascinante. E o filme tem uma cena que me tocou muito. É uma conversa entre dois homens, dois heteros, ligada a uma viadagem que existe lá pelo meio e que é bem divertida. Essa conversa foi que fez toda diferença para mim. Sorry, mas não posso dizer do que se trata porque fui ver o filme sem saber nada – nem o trailer tinha visto – e o elemento surpresa foi fundamental. Não vou estragar a de vocês, mas ‘Rockenrolla’ é bom. Melhor do que bom – é ótimo!