Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Roberto tem razão…

Cultura

As informações e opinões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Cultura

Roberto tem razão…

Luiz Carlos Merten

14 Setembro 2008 | 18h15

Celdani e Fábio Negro me puxam a orelha, porque ambos acham um absurdo que ao listar os meus filmes favoritos de John Huston tenha omitido ‘O Tesouro de Sierra Madre’. Gosto bastante, mais do que de ‘Relíquia Macabra’ – e Huston ganhou o Oscar de direção pelo ‘Sierra Madre’, no ano em que ‘Hamlet’, de Laurence Olivier, levou o de melhor filme -, mas omiti de forma deliberada porque o post era sobre como gosto mais do Huston pós-sartriano e freudiano. Neste sentido, vou responder ao Roberto. Só ele foi sagaz, captando que omiti ‘Fat City – Cidade das Ilusões’, um grande Huston, de 1972, sobre o universo do boxe. Havia salvado o post quando me lembrei de ‘Fat City’ e quase voltei, mas estava de saída do jornal e ia me atrasar. Mas o Roberto tem razão. Se o Huston posterior a ‘Freud, Além da Alma’, é o melhor para mim, não faz sentido esquecer o ‘Fat City’. Stacy Keach é magnífico no filme. Há nele uma amargura, um desencanto que dilaceram. O ator tinha o lábio leporino. Joaquin Phoenix também, mas deve ter operado, porque hoje em dia quase não se percebe. Stacy Keach nunca operou e, se aquilo de alguma forma limitou sua carreira em Hollywood – os tempos eram outros -, também contribuiu decisivamente para a persona que ele encarnava. Seus dois maiores papéisa foram em filmes de John Huston. Além do pugilista de ‘Fat City’, derrotado como todo pugilista da tela – a exceção é o Paul Newman de ‘Somebody Up There Likes Me’, de Robert Wise, lançado no Brasil como ‘Marcado pela Sarjeta’ -, ele foi o terrível vilão Bob Malvado de ‘Roy Bean’. Lembram-se de Bob Malvado? Era albino e tomava diretamente do bule o café fervendo para mostrar o quanto era mau. Aliás, que filme aquele… O pouco que a Ava Gardner aparece é uma das mais belas homenagens que uma estrela já recebeu na tela, como referência, ou reverência, ao seu mito. Huston havia feito ‘A Noite do Iguana’, baseado em Tennesse Williams, com Ava, Richard Burton, Deborah Kerr e Sue Lyon, outro de seus grandes filmes pós-freudianos. A fotografia em preto-e-branco da ‘Noite’ era assinada por Gabriel Figueroa. Até hoje, quando me lembro do filme, os planos me vêm com todos os contrastes de luz e sombra e aquele brilho incomparável da imagem. Celdani e Fábio Negro me cobram o começo de Huston e eu reforço o final, que me parece mais intererssante.

As informações e opinões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Encontrou algum erro? Entre em contato