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Luiz Carlos Merten

22 Dezembro 2008 | 11h06

PORTO ALEGRE – Sim, morreu Robert Mulligan. Na sexta, dia 19, aos 83 anos. Há tanto tempo que ele não filmava – seu último longa, ‘No Mundo da Lua’, sobre adolescentes, data do começo dos anos 90. Quase 20 anos sem o olhar terno, às vezes penetrante de Mulligan, autor de uma carreira irregular, mas a quem se devem – eu devo – grandes títulos. Mulligan pertence à geração que a TV cedeu a Hollywood na segunda metade dos anos 50. Era contemporâneo de Arthur Penn, Sidney Lumet, John Frankenheimer. Todos vieram do teleteatro e estrearam mais ou menos juntos, entre 1956 e 58. O longa de estréia de Mulligan, ‘Fear Strikes Out’, com Anthony Parkins – na fase pré-‘Psicose’ -, chamou-se no Brasil ‘Vencendo o Medo’, ou coisa que o valha. Baseava-se numa história real. Perkins fazia um jogador de beisebol que precisava vencer uma doença mental para ser aceito na Liga. Logo ewm seguida veio ‘O Grande Impostor’, com Tony Curtis, também baseado numa história real, sobre um sujeito que adota múltiplas máscaras e identidades. Mulligan não se impôs imediatamente, como Penn. Por volta de 1960, dirigiu uma comédia, ‘Quando Setembro Vier’, com Rock Hudson, Gina Lollobrigida, Sandra Dee e Bobby Darin (que cantava o tema ‘Come September’). Lembro que o filme era distribuído pela Universal e fez o maior sucesso em Porto Alegre, permanecendo meses (ou semanas) em cartaz no Cacique, recebido a pancadas pelo P.F. Gastal, que via no fato a prova da mediocrização de Mulligasn, mais um que se havia vendido ao cinemão, a Hollywood. Mas aí, em 1962, veio ‘O Sol É para Todos’ (To Kill a Mockinbird), baseado no romance de Harper, Lee, que deu o Oscar para Gregory Peck, e surgiu um outro Robert Mulligan. É desse que quero falar – no próximo post.