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Luiz Carlos Merten

26 Março 2010 | 15h42

Morreu Robert Culp. O velhinho teve uma queda em casa e morreu aos 79 anos. Como o óbito já está no ‘Caderno 2’ de hoje, deve ter sido anteontem. Robert Culp ficou famoso na TV dos EUA, em dupla com Bill Cosby, na série de espionagem ‘I Spy’, mas eu me lembro dele nos westerns, incluindo ‘Wanted: Dead or Alive’, com Steve McQueen na pele do caçador de recompensas Josh Randall. No cinema, embora tenha feito muitos filmes, o que marcou foi ‘Bob & Carol, Ted &  Alice’. Lembro-me quando assisti a este filme no antigo cinema Vogue, em Porto Alegre, acho que na época já era Cinema Um. Não sei por quê, mas me lembrei de ‘Bob & Carol’ outro dia. A plateia ria como se o simples fato de estar assistindo àquele filme fosse sintoma de felicidade. Tenho minha simpatia pelo diretor – e ex ator – Paul Mazursky. Sei que tem gente que não gosta nada dele, mas eu acho que sua obra é muito interessante. Jean Tulard lamenta que lhe falte um pouco mais de vigor e crueldade para atingir o alvo, mas o cinema de Mazursky é muito interessante como representação da classe média face a tudo aquilo que ameaça desestabilizar seu conforto e tranquilidade. ‘Bob & Carol’, o primeiro Mazursky, tratava da permissividade sexual. Em plena era da pílula e do ‘Make love, not war’, Mazursky mostrou dois casais que encaram a possibilidade do swing. Natalie Wood e Robert Culp, Dyan Cannon e Elliott Gould fingem que vão fazer sua revoluçãozinha sexual, mas recuam no desdfecho um tanto pretensioso, o que não impede o filme de ser muito divertido (e o quarteto, excelente). Comecei o post falando da morte de Robert Culp e vou prosseguir lamentando o desaparecimento de Mazursky. Onde anda? Cada um de seus filmes tem alguma coisa que permanece comigo. A cena do sexo do casal, vista pelo ângulo do cachorro em ‘Um Vagabundo na Alta Roda’, o choque da descoberta de que o suicida potencial realmente se matou em ‘Próxima Parada, Bairro Boêmio’, a angústia de Ron Silver, indeciso entre suas três mulheres em ‘Inimigos, Uma História de Amor’, adaptado de Isaac Singer, a perplexidade de Jill Claybough ouvindo no meio da rua do marido, após o almoço, que o casamento deles acabou em ‘Uma Mulher Descasada’ etc. De volta a ‘Bob & Carol’, o filme tem cenas ótimas. Natalie Wood, oito anos mais velha e tão bela (mais?) do que em  ‘Clamor do Sexo’, subindo aquela escada de baby-doll. Ou Robert Culp defendendo o amor livre – “Faça sexo com quem quiser, menos com minha mulher”’ Fechei o ciclo. Voltei a Culp, origem do post. Não era um grande ator, mas ghuardo boas lembranças dele.