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Robert Aldrich (1)

Luiz Carlos Merten

30 Novembro 2008 | 10h17

Robert Aldrich não tinha muito apreço por ‘O Último Pôr-do-Sol’. Dalton Trumbo, que escreveu o roteiro, também não. Aldrich, acostumado a engolir sapos em Hollywood, confessou certa vez que não teve pior expeeriência com produtores do que a vivida com Kirk Douglas. Dizia que era cabeça dura e obstinado. Se ia por uma direção que não era a desejada pelo cineasta, não havia quem o fizesse recuar. O problema de Trumbo era outro. Homem de confiança de Kirk Douglas – havia escito ‘Spartacus’ e o pai de Michael Douglas demitiu o diretor original, Anthony Mann, substituindo-o por Stanley Kubrick; na seqüência, Trumbo roteirizou ‘O Último Pôr-do-Sol’ e o filme preferido do velho Kirk, ‘Sua Última Façanha’ -, ele não conseguia escreve para Rock Hudson. Achava que era um ator de comédias e melodramas. Qualquer frase que colocava na boca do xerife da história, lhe parecia falsa dita por Hudson. É curioso que, com tantos problemas de partida, ‘The Last Sunset’ seja considerad hoje um dos clássicos de Aldrich. Michel Maheo, no livro sobre o diretor – coleção Rivages/Cinéma -, diz qe é uma das três ou quatr réussites indiscutiveis do autor, uma obra-prima como ‘A Morte Num Beijo’ (Kiss Me Deadly), de 1955. Confesso que tenho u carinho especial pelo gordo Aldrich, que os franceses chamavam de ‘Gros Bob’. Quando uma editora gaúcha me propôs a segunda edição de meu livro ‘Cinema – Um Zapping de Lumière a Tarantino’, confesso que andava tão decepcionado com os rumos da carreira de Quentin que disse que teria de mudar o conceito, eliminando-o. E já que era para fazer isso, acrescentando, por exemplo, Abbas Kiarostami, o melhor era escrever outro livro, o que fiz rapdamente. Saiu ‘Cinema – Entre a Realidade e o Artifício’, privilegiando Baz Luhrmann e seu ‘Moulin Rouge’. Resolvi incluir um capítulo sobre a geração que hava mudado Hollywood nos nos 50. Havia pensado em Anthony Mann, por causa do meu amor pelo western, mas já havia John Ford e eu até hoje nao conheço bem – admiti-o no outro dia – os thrillers e filmes noir de Mann nos anos 40. Nicholas Ray me pareceu uma escolha meio óbvia, já que, com Godard e Wenders, ele virara uma unanimidade. Quase fiquei com Richard Brooks, mas no final foi Aldrich. Acho que nenhum outro diretor vivenciou/incorporou tanto as mudança de Hollywood. E Aldrich, quando era bom, era maravilhoso. Continuo no próximo post.

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