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Cultura » ‘Rio’?

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Luiz Carlos Merten

23 Março 2011 | 14h21

Gente, parece piada, mas não paro de dar entrevistas sobre Liz Taylor. Somado à capa de amanhã do ‘Caderno 2’, produzida na corrida, mas com carinho, isso significa que, desde as 10 da manhã, não tenho feito outra coisa. Mal consegui acrescentar o post sobre ela. Agora, olhando os comentários, vi o do Fábio, me acusando de censura religiosa. Eu, hein? Mas, olhem, não tive tempo de explicar o sumiço dos últimos dois dias. Estava no Rio, por conta da pré-estreia mundial de ‘Rio’. A ida foi um pesadelo. Voo cancelado, o outro atrasou e, do começo da tarde, como previsto, cheguei quase às 7 da noite. A segunda foi-se assim. A terça começou com atraso da coletiva e a própria coletiva foi o ó, compensada, à tarde, pelas mesas redondas. Sim, Anne Hathaway é gracinha, como a gente acha. Diverti-me com Jamie Foxx, que, interrogado sobre seu interesse pelo Brasil, citou as mulhereas, ‘cheias de curvas’, ao que Will.i.am, que dividia a mesa com ele, retrucou, em bom português, que ele queria dizer ‘bunda’. Por fim, veio Rodrigo Santoro, entusiasmadíssimo com ‘Heleno’, que produziu, sobre o lendário Heleno de Freitas, que deve estrear no segundo semestre. Será que José Henrique Fonseca vai nos entregar o grande filme de futebol que o cinema brasileiro nos deve? Tomara… Sobre ‘Rio’, acho que fui com sede demais ao ‘poste’. Tinha uma expectativa talvez exagerada em relação à nova animação de Carlos Saldanha. Afinal, adoro a série ‘A Era do Gelo’, especialmente o 3. Desde segunda à noite, tenho passado por diversas fases – decepção, descobertas (no retrospecto), revalorização. Tecnicamente, ‘Rio’ é um show. Dramaturgicamente, tive mais dificuldade para entrar no espírito da coisa. Percebo ali uma intenção de chanchada, que me agrada, mas outras coisas continuam me desagradando mais do que intrigando (os saguís ladrões, por exemplo). Blu é um belo personagem e Jewell, que no Brasil é Jade… Anne Hathaway diz que gostaria de ser como Blu. Essa história de liberdade a qualquer preço não tá com nada. O importante é amar (como Blu). Será que preciso acrescentar que a lágrima veio, espontânea, na cena em que o macho de arara-azul, para salvar a amada, aprende, no desespero, a voar?

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