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Cultura » Rindo do (nosso) preconceito

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Luiz Carlos Merten

09 Setembro 2007 | 12h38

Cheguei ontem ao Arteplex para ver Vira-Lata, achando que era a versão legendada. Ao descobrir que era dublada, busquei uma alternativa e o único filme que havia no horário, 16h30, era Eu os Declaro Marido e… Larry, do Dennis Duigan, com Adam Sandler. Entrei meio ressabiado. Depois do horroroso Licença para Casar, havia resolvido dar um tempo nessas comédias de Hollywood. Achei muito divertida. O diretor e o astro jogam a carta do politicamente incorreto – afinal, todo mundo conhece piada de gay, não? –, mas é para chegar, no final, ao discurso moralizador, quando o riso é usado contra o preconceito. É fórmula, mas vai ser difícil deixar de rir. E o filme tem uma coisa interessante. Os dois caras, os dois bombeiros – com as piadas de mangueira que vocês podem imaginar –, têm de fingir (por um quiprocó) que são gays, mas tem os gays de fato. Ving Rhames faz o bombeiro que sai do armário – e conhecendo o cara vocês estejam certos de que o armário é enorme –; tem também o Billy Elliot, o filho do bombeiro que se casa com Adam Sandler. O menino é gay desde gayzinho, sonhando virar astro de musical. Seus números de sapateado e canto, estimulados pelo ‘tio’ Larry (Sandler) são muito legais. E o filme tem Jessica Biel como a advogada gostosona que defende a dupla quando o caso vai parar na Justiça. Jessica Biel – deve ser influência do nome – é uma deusa como a Alba. Existem a Jessica A e a Jessica B. Numa cena, a B leva o amiguinho (gay) para casa e começa a tirar a roupa. Afinal, são ‘amigas’. Ela fica de sutiã, o Sandler fica duro (literalmente), vidrado no espetáculo. Ela diz, inocentemente, que seus seios são naturais, mas tem gente que jura que são siliconados. Adivinhe se ela não convida Sandler para tocá-los. Esse tipo de piada tem quase 50 anos, desde que Billy Wilder fez Quanto Mais Quente Melhor . Não envelhece. A gente continua rindo igual.