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Luiz Carlos Merten

04 Outubro 2010 | 23h42

RIO – Cá estou de volta ao hotel, depois de assistir à versão restaurada de ‘Rico Ri à Toa’, de Roberto Farias, com Zé Trindade e Violeta Ferraz. Ao acessar o blog, descobri que, além de perder o texto no post anterior, a falha no sistema desativou os possíveis comerntários que vocês quisessem fazer. Pois é, terminei não indo ver ‘Machete’, que estreia em seguida, não sei nem se dá tempo de o filme de Robert Rodriguez passar antes na Mostra. Por dúvida das vias preferi ver o longa de estreia de Roberto Farias. Como não dou notícias há dias, deixem-me fazer um resumo. No domingo – ontem -, tive um encontro com Charlotte Rampling, Irène Jacob e Bill Pullman na casa do diretor Jonathan Nossiter, de ‘Rio Sex Comedy’. Já as havia entrevistado antes, aqui mesmo no Rio, e elas foram adoráveis. Na sequência, ontem, depois de almoçar com Dib Carneiro e Cláudio Fontana, lá pelas 4 da tarde, fui ver ‘Somewhere’. Havia gente pelo ladrão, sentada no chão, para ver o longa de Sofia Coppola que venceu o Leão de Ouro. Assisti somente a 1Essential Killing’, de Jerzy Skolimowski, entre os demais filmes exibidos – e premiados – em Veneza. Sei que o prêmio de ‘Somewhere’ foi recebido debaixo de vaias e talvez até houvesse coisas melhores, mas o filme é bom, sobre mais um daqueles personagens que a filha de Francis Ford ama. Stephen Dorff é o astro lost in translation que recebe a visita da filha. Encontros, desencontros, narrativa tênue, não acontece nada muito importante, mas é justamente essa ausência de carga dramática que Sofia Coppola gosta de trabalhar, em cumplicidade com atores que entendem seu conceito e atuam com a discreta intensidade que ela espera deles. Revi Godard, ‘Filme Socialisme’, vi um documentário incrível sobre Elza Soares, mulher guerreira e artista revolucionária, que consegue da conta, sem didatismo, da complexidade da personagem. O festival vai chegando ao fim. Amanhã à noite, ocorre a premiação. Estarei em Paulínia, vendo ‘Tropa de Elite 2’. Quem leva o Redentor? Já escrevi que, se o júri fizer a coisa certa, ‘O Senhor do Labirinto’, de Geraldo Motta, co-direção de Gisella de Mello, ganha o prêmio, mas acho que terei surpresa(s). Outra boa alternativa é ‘Além da Estrada’, ou ‘Riscado’, sobre os quais não falei, mas aos quais pretendo voltar. Na quarta, regresso ao Rio para ver, à noite, o ‘Lope’ de Andrucha Waddington e também para entrevcistar – de novo – Bruno Dumont, que chegou à tarde e, no começo da noite, já foi para um encontro com o público na Maison de France. É humanamente impossível dar conta de um festival com mais de 300 filmes, mas gostei da maioria dos filmes que vi, fiz ótimas entrevistas. Está sendo um saldo bem positivo, mas agora confesso que já estou com a cabeça no (José) Padilha. Como será ‘Tropa de Elite 2’? Tenho ouvido tanta coisa boa do filme. Wagner Moura, Bráulio Mantovani prometem um grande filme, dizem que é melhor que o 1. A propósito, Charlotte Rampling queria saber se eu já tinha visto o 2. Quando lhe disse que não, quis saber minha opinião sobre 1. Disse que era forte, ela retyruixcou que era forte demais – truculento demais – para o gosto dela. O curioso é que, no texto perdido do post anterior, eu definia ‘Rio Sex Comedy’ como o filme mais ‘bianchiano’ que Sérgio Bianchi não fez. O olhar estrangeiro de Jonathan Nossiter fecha com dele. A mesma maneira desabusada de falar de relações afetivas e sociais,de filmar a periferia – a favela -, de criticar as Ongs. Bianchi bate sempre na tecla do País cronicamente inviável. Nossiter pode até não filmar tão bem – seu filme é muito irregular -, mas acredita mais. O embaixador norte-americano (Bill Pullman) chega a dizer, com todas as letras, que os EUA já perderam sua hegemonia. O Brasil raia no horizonte. Outra curiosidade de Charlotte Rampling. Queria saber se haveria segundo turno. Quando disse que estava pintando que sim, ficou surpresa. ‘Really?’