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Luiz Carlos Merten

26 Dezembro 2007 | 14h32

Ricardo Lacera me salvou. Justamente porque são tantos os filmes que começam com ‘A Força…’ lançados nos anos 80 que me confundo. ‘Breathless’ é “A Força do Amor’. Gosto bastante do trabalho do Jim McBride e vou aproveitar um pouco para esticar o assunto Richard Gere. Não entendi muito bem o ponto da Márcia, porque não acho que ele fosse apenas bonito e, portanto, quando a flor da idade feneceu o Gere deixou de oferecer atrativo. Gosto muito do jovem Richard Gere em ‘À Procura de Mr. Goodbar’, embora não goste do próprio filme – acho que é o único de Richard Brooks que não me seduz -; acho que ele é muito legal em ‘Cinzas do Paraíso’, de Terrence Malick, e especialmente em ‘Gigolô Americano’, um filme do Paul Schrader que eu amo (aquele final que homenageia/reconstitui ‘Pickpocket’, de Robert Bresson, é maravilhoso). Para o Fábio – não sei se tantas pessoas assim gostaram de ‘Rapsódia de Agosto’. Eu me impressionei muito com o filme e, na época, até comprei um monte de brigas, porque o filme de Kurosawa é contemporâneo do de Fellini ‘A Voz da Lua’ e eu acho que quem fez jus ao título foi o mestre japonês. Ao contrário de outros coleguinhas, não gosto de ‘A Voz da Lua’, mas, em compensação, sou louco pela cena de ‘Rapsódia’ em que a avó e os netos ficam naquele alpendre, iluminados pela luz da lua, sem dizer nada, só ouvindo o silêncio. Revi outro dia ‘Rapsódia’ na TV paga e chorei como na primeira vez na cena da cerimônia da água. Sei que o filme tem defeitos, que Kurosawa fez coisas melhores, mas este é um dos filme dele que carrego comigo. E o Richard Gere, com aquele olhinho puxado, fazendo o neto havaiano, me toca muito. Se não fosse o prestígio dele, e o capital que atraiu, Kurosawa talvez não tivesse feito o filme. Sobre Richard Gere, acho que já contei a história no blog, mas estou com preguiça de conferir. Prefiro contar de novo. Sei lá quando foi, nos anos 80, talvez, mas eu estava indo para a a redação do jornal, em Porto Alegre – era o ‘Diário do Sul’ – e passando pela Rua da Praia, na altura da Praça da Alfândega, vi aquele sujeito sentado. Cheguei no jornal e disse que tinha visto um cara muito parecido com o Richard Gere, o que deixou minhas colegas ouriçadas. Naquela mesma tarde veio a confirmação. Richard Gere estava em Porto. Ele tinha uma namorada gaúcha, uma modelo, e foi com ela visitar os pagos. Sensacional! Richard Gere sentadinho, anônimo, na Praça da Alfândega. Já pensaram se tivesse ido falar com o cara? Que bela entrevista poderia ter feito?

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