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Luiz Carlos Merten

27 Setembro 2007 | 13h39

RIO – Entrevistei agora de manhã Ricardo Darín. Ele está aqui no Festival do Rio mostrando sua estréia como diretor, o filme noir La Señal (O Sinal), que será lançado pela Buena Vista. A distribuidora ainda não fixou uma data, mas o filme passa na Mostra, em outubro. Ontem, já escrevi que é um noir feito no capricho, mas que não me cativou muito. Darín me informou que o filme estreou arrebentando na Argentina. Foi há uma semana e O Sinal já fez 205 mil espectadores. Ele me explicou como e por que assumiu a direção, quando seu amigo, Eduardo Mignone, que deveria dirigir o filme, morreu pouco antes de iniciar a rodagem. Não vou furar minha matéria de amanhã no Caderno 2, mas vou destacar aqui dois pontos que não pude abordar no jornal, por falta de espaço. Perguntei se havia uma tradição noir no cinema argentino e Darín disse que sim, mas muito antiga. Remonta aos anos 40, quando Hugo Fregonese, antes de emigrar para Hollywood – onde virou grande diretor de ação – fez El Ultimo Delincuente, que Darín reputa como um de seus filmes argentinos favoritos, talvez ‘o’ favorito (Central do Brasil é o brasileiro de que ele mais gosta, se lhe interessa saber). A outra diz respeito a Torre-Nilsson. Perguntei o que Darín achava do mais famoso diretor argentino nos anos 50 e 60, o Bergman de lá, como era chamado. Darin disse que viu seus primeiros filmes de Torre-Nilsson aos 15 anos e, naquela época, não gostou muito, porque seus interesses de adolescente eram outros. Hoje, mais maduro, ele diz que finalmente aprecia o cinema de Torre-Nilsson. Muito legal, o cara. Mas ele nega que tenha dado uma cara ao cinema argentino mais recente, por mais sucessos que tenha interpretado – O Filho da Noiva, Nove Rainhas, Clube da Lua, El Aura etc.