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Luiz Carlos Merten

02 Agosto 2010 | 10h54

No Rio, entre um ‘Calígula’ e um concerto, assisti a ‘O Brilho de Uma Paixão’. Havia gostado do filme de Jane Campion sobre o poeta John Keats quando o vi em Cannes, no ano passado. Gostei mais ainda. O curioso é que percebo uma reação contrária muito forte. Na rádio (Eldorado), a Vanessa tinha me assinalado as opiniões dos coleguinhas para ressaltar como, mais uma vez, eu estava na contramão. Suave demais, acadêmico e anêmico. Essa gente é louca. O bom do filme é justamente como Jane Campion subverte essa suavidade para fazer um filme duro. E os atores são maravilhosos. Ontem, já em São Paulo, fui rever ‘Ponyo’. Não digo que seja o meu Miyazaki favorito, pois ainda gosto mais do ‘Castelo nas Nuvens’, mas adorei. Fábio Negro reclama que Ponyo, a personagem, quase destroi o mundo e vira heroína, mas é que o filme celebra relações familiares (e amorosas). O menino com o mãe e o pai, Ponyo com o pai e a mãe. Miyazaki cria simetrias invertidas muito interessantes. E o visual me arrebata. Não é ‘Procurando Nemo’, imbatível, mas o colorido do fundo do mar de ‘Ponyo’ enche os olhos.

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