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Luiz Carlos Merten

31 Outubro 2009 | 09h51

Sei que muitos de vocês, alguns pelo menos, não gostam quando eu fico falando do meu dias, das minhas atividades. Querem logo as informações sobre filmes, as discussões sobre cinema, mas a visda interfere na arte, como não? Passei por muita tensão nos dois últimos dias. Ontem, estava à beira de um ataque de nervos e cheio de matérias para redigir, para a edição de hopje do ‘Caderno 2’. Havia contado que ia ser avô, mas ainda não vai ser dessa vez. Lúcia teve uma complicação e passou por um procedimento cirúgico, ontem, em Porto. Era uma coisa simples, mas, inesperadamente, surgiu um problema. Nem sei como saíram as matérias de hoje, as entrevistas com Raphael Alvarez e Tatiana Issa, do filme sobre os Dzi Croquettes, o perfil de Denise Weinberg, a Ruiva de ‘Salve Geral’, a crítica de ‘A Batalha dos 3 Reinos’, de John Woo, que amo tanto. À tarde, fui ver ‘A Ressurreição de Adam’, de Paul Schrader. Mais um filme sobre holocausto! Mas que venham muitos outros, se forem tão bons quanto o de Schrader. O filme me causou uma impressão muito funda. Aquele menino cachorro elevando-se sobre as próprias pernas… Deus, vocês que me acompanham sabem que ‘O Garoto Selvagem’ é o meu Truffaut favorito. Schrader botou um Truffaut lá no meio da ressurreição de Adam, a ressurreição é a do menino. Saí engasgado do cinema, liguei para o hospital em Porto, transferiram para o quarto e a Lúcia atendeu. A tensão do dia e a emoção do filme explodiram quando falei com minha filha e eu rompi a chorar, um velho ridículo pendurado num orelhão, na ponta da Praça da República. Tive ali a minha ressurreição? Pode ser… À noite fui (re)ver ‘Os Famosos e os Duendes da Morte’, que tem coisas boas – melhores do que me pareceram da primeira vez, e estou falando dos dois garotos -, mas o filme, em definitivo, não é para mim. Emendei com ‘Sansão e Dalila’, o filme sobre aborígenes que venceu a Caméra d’Or. Tão bonito, tão forte, mas tenho de admitir, em nome da honestidade, que já vi o filme duas vezes, em Cannes e ontem, e ainda não consegui ver o final, a última cena, exatamente! Já virou praga. Na saída encontrei Marcelo Gomes, que me apresentou o Irandhir, que fornece a voz a ‘Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo’, sem aparecer no filme que Marcelo fez com Karim Aïnouz. Os dois iam participar de um debate com o público. Irandhir está no ‘Besouro’. Conversamos sobre o filme de João Daniel Tikhamiroff, que tem coisas lindas – aquela cena de sexo encenada como dança de capoeira -, mas não dá liga. Eu acho, ele concordou. Estou acrescentando este post só para dar alô. Tenho de ir para a coletiva da Mostra. Leon Cakoff apresenta os filmes selecionados pelo público e o júri internacional que vai avaliá-los, escolhendo o vencedor, ou vencedores, do troféu Bandeira Paulista, que será/serão anunciado(s) na próxima quinta. À tarde, pretendo ver ‘Perseguição’, do Patrice Chéreau, e o que mais que o dia me permitir. Vamos lá!

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