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Luiz Carlos Merten

10 Setembro 2010 | 14h24

Fui ver ‘Resident Evil 4’ agora de manhã. Na saída, Miguel Barbieri, da ‘Vejinha’, manifestou surpresa ao me ver entre aquela garotada, como se ele próprio já não fosse um ‘veterano’ e também não estivesse ali cumprindo um compromisso profissional. Em Cancún, no Sony Summer, já havia visto cenas – entre uma Julia Roberts e uma Angelina Jolie. O filme é ruim (alguma dúvida?), mas vamos ao saldo positivo. Foi a segunda vez que encontrei o Paul W.S. Anderson. Na primeira, o entrevistei num pequeno grupo. Agora, no México, foi só uma coletiva. Ele é jovem, bonitão – podia fazer carreira frente às câmeras – e entusiasmado. Considera-se um criador de mundos e, não por acaso, ‘Blade Runner’, de Ridley Scott, é um de seus cults. A história continua batendo na tecla da briga de Alice contra a corporação que espalhou o vírus T e transformou a Terra num lugar impossível de se viver. Populações inteiras viraram mutantes, mortos-vivos. A heroína, inoculada com o virus, resiste. A principal cena de ação do novo filme – a luta de Alice e sua parceira com um gigante armado de clava – não tem o menor cabimento. A gente não sabe quem é o cara nem de onde veio, muito menos porque veste uma mortalha, não tem rosto e é daquele tamanho. Who cares? É game, e faz parte. Alguns efeitos são bons e o final em aberto prepara a saga para o 5. Mas eu confesso, os tais prazeres inconfessáveis, que bem lá no fundo me diverti. O 3-D deixa um pouco a desejar e, aliás, um colega aqui da Arte do ‘Estado’ me comentou ontem como os filmes recentes em terceira dimensão estão deixando a deseja, em termos de profundidade e relevo. É verdade. Tirando uma ou outra parte, ‘Resident Evil 4’ não é muito melhor do que ‘Fúria de Titãs’, filmado em 2-D e convertido para 3. Mas eu sou  fãzaço (de carteirinha) da Milla Jovovich, ela é uma deusa e, no período entre o primeiro filme e o atual – oito anos –, teve uma filha, Ever Gabo (com o diretor Anderson), e passou da jovem Joana d’Arc de Luc Besson a uma mulher madura, de sexualidade consolidada, em ‘Resident Evil 4 – O Recomeço’. Gosto de vê-la fazendo todos aqueles stunts, disparando qualquer tipo de arma de fogo e dando cambalhotas mortais. A câmera de Paul W.S. é apaixonada de verdade por Milla e capta o tremor de suas mãos com as armas, o crispar dos lábios. Nem Wim wenders a filmou melhor. Quando aqueles cães do Diabo saltam de novo sobre Milla, a impressão é de estar ali, junto. Sua parceira, de quem não sei o nome – mas a cara é conhecida –, é uma potranca e tanto, com todo respeito. E, para satisfazer aos 30 e tantos sexos, os dois cavalões da história representam a força das etnias, um wasp e outro negro, ou melhor, afro-americano. Dá para encher os olhos com tanta diversidade, mas nexo, alguém vai ver ‘Resident Evil’ 1-2-3-4 procurando um sentido para as coisas? Francamente…