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Luiz Carlos Merten

30 Setembro 2006 | 11h50

A caminho da sucursal do Estado, no Rio, passei pela tenda do Festival do Rio, na Cinelândia, onde, às 10 horas, foi lançado o livro Memória da Memória, coletânea de textos organizada por Carlos Alberto de Mattos que conta a história do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro. O Centro existe oficialmente há 35 anos, mas existe uma história anterior, que o livro resgata, lembrando os primeiros encontros de cinéfilos que, nos anos 60, já se preocupavam em manter viva a memória do cinema brasileiro. Nos últimos anos, o CPCB, leia-se Myrna e Carlos Brandão, tem feito um importante trabalho de restauração de obras fundamentais, ameaçadas de se perder. A Petrobrás tem sido a grande parceira e Myrna, aliás, se pergunta o que seria do cinema brasileiro sem a Petrobrás. Ontem, foi apresentada a versão restaurada de O Homem Que Virou Suco,do João Batista de Andrade. O melhor é que, na trilha do CPCB, outros restauros também estão sendo feitos e também com apoio da Petrobrás. A obra de Glauber Rocha, a de Joaquim Pedro, a de Nelson Pereira dos Santos, a do Leon Hirszman. No começo da semana, vamos poder ver, aqui, a versão restaurada de Como Era Gostoso o Meu Francês, um marco, com Macunaíma, da antropofagia no cinema brasileiro. Na saída do Noel, encontrei Lauro Escorel Filho e perguntei o que o grande fotógrafo de O Maior Amor do Mundo está fazendo no momento – a pedido de Maria Hirszman, que coorderna o projeto de restauração da obra de seu pai, o Lauro trabalha em Eles não Usam Black-Tie, que está ficando lindo, assegura. Como disse a diretora artística do Festival do Rio, Ilda Santiago, não há futuro para o cinema brasileiro sem link com a nossa memória. Não há futuro para o cinema, como um todo, sem resgate do passado. Daí, aqui no Festival do Rio, as retrospectivas, mesmo que parciais, de Visconti e Alejandro Jodorovski. Fui ver A Montanha Sagrada e foi uma viagem. Glauber, Arrabal, Sergio Leone, Jodorovski se apropria de tudo. E o filme tem aquele caráter cifrado. A investidura do herói, segundo o tarô, é uma doideira de gênio. A trilogia do Jodorovski, El Topo, Fando y Liz e La Montaña Sagrada, que o festival mostra tem justamente esse título – O Gênio dos Midnight Movies. Ah, sim, interessados no livro sobre o CPCB podem requerê-lo no endereço mcbrandone@terra.com.br.