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Cultura » ‘Resgate de Uma Vida’, Aldrich (1)

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Luiz Carlos Merten

30 Novembro 2009 | 13h53

Minha caixa postal estava travada, com os últimos e-mails tendo sido recebidos na manhã de sexta-feira. Por isso, não sei se vocês nem tentaram postar sobre meu tríplice comentário a respeito de ‘Lula, o Filho do Brasil’ ou se tentaram e não conseguiram. Entre os últimos comentários postados estão dois a respeito de um texto antigo, sobre Joselito. Lúcia Helena conta que estava ouvindo o ruiseñor cantar quando descobriu o post. José Silva pergunta se ele está vivo. Fui procurar na internet. Sim, está vivo, morando na Espanha, mas o mais interessante foi que descobri o que vocês, internautas, provavelmente já sabem – joselito, na linguagem de gente jovem, quer dizer o sujeito aloprado, que faz coisas loucas. É o sem noção, que não está nem aí pra nada. Acho no mínimo curioso que a palavra tenha adquirido esse significado, porque ‘o’ Joselito não era nada disso. Voltem ao post, se quiserem. Jandequer também me pergunta, a propósito de um post sobre Robert Aldrich, como conseguir uma cópia de ‘Resgate de Um Vida’, que o ‘gros Bob’, como é chamado na França, adaptou de James Hadley Chase, ‘The Grissom Gang’. Amo Aldrich e até lhe dediquei um ensaio no meu livro ‘Cinema, Entre a Realidade e o Artifício’. Queria alguém da geração hollywoodiana dos anos 50, na verdade diretores que vinham do fim dos 40. Achei que Sam Fuller e Nicholas Ray, por mais que os ame, já haviam sido suficientemente mapeados e descobertos. O mesmo não ocorre com Aldrich e Richard Brooks. Terminei optando por Aldrich, até porque acho seu caso muito interessante. Aldrich deve sua fama aos seis filmes de gênero que fez entre 1954 e 56 – westerns, de guerra, noir, melodrama -, depois entrou em baixa e ressurgiu nos 60, mas sem nunca igualar seu começo. É o que diz a maioria da crítica. Eu sustento que Aldrich refez, como ‘espetáculos’, os grandes filmes de suas origens e tenho para mim que, para o meu gosto, as novas versões são ainda melhores. ‘A Vingança de Ulzana’ é certamente melhor do que ‘Apache’ (O Último Bravo) e a cena em que o índio, sentado junto à fogueira com o guia Burt Lancaster, lhe explica porque Ulzana está pilhando e matando é uma coisa extraordinária, e uma provocação inominável em 1972, em plena guerra do Vietnã. Não sei, sinceramente, se ‘Resgate’ foi lançado em DVD, mas tenho para mim que a autoritária Ma (Mãe) Grissom é uma personagem extraordinária, na vertente na mãe de James Cagney em ‘Fúria Sanguinária’, de Raoul Walsh, e da Shelley Winters de ‘Os Cinco de Chicago’, que é meu Roger Corman favorito (mais do que qualquer exemplar de sua série baseada em Edgar Allan Poe). Aldrich amava essas figuras desmesuradas, maiores que a vida e quero chegar agora ao real objetivo deste post. Só que ele está tão grande que vocês vão ter de ler o próximo. Espero que não tenha sido aborrecido, até aqui.