Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Renoir!

Cultura

Luiz Carlos Merten

27 Maio 2012 | 09h27

CANNES – Ainda eh cedo no Brasil, 9 da manhah, mas se voces entrarem agora no site do festival – festival-cannes.org (ou fr) -, vaoh encontrar na pagina principal entrevistas com Nanni Moretti e Alexander Payne, que integram o juri oficial (o primeiro eh o presidente), e com Cacah Diegues e Tim Roth, que presidem os juris da Camera d`Or e de Un Certain Regard. O juri de Roth jah fez merda, e naoh porque o filme que escolheu, After Lucia, seja ruim, mas porque distribuiu uns 30 premios, incapaz de fazer uma escolha, e ainda selecionou duas melhores atrizes, quando havia, nos poucos filmes que vi (desta secaoh em particular), atores ateh melhores. Alias, eh uma tonica de todo o festival, e da competicaoh nem se fala. Posso citar uns dez atores premiaveis, mas atrizes, hah bem poucas. Hoje de manhah tirei ferias do festival e fui ver Men in Black 3, que, como filme/pipoca, naoh me desgotou, embora tenha achado o Tommy Lee Jones esquisitissimo. O tempo passou para Will Smith e ele, mas o Tommy ficou com uma pele de lagarto, um enrugado meio fake, que naoh sei se faz parte da composicaoh do personagem ou eh resultado de algum tratamento naoh muito bem sucedido. Mas o que quero falar eh sobre Renoir. Amei o filme de Gilles Boudros que encerrou Un Certain Regard e espero que tenha sido comprado, ou venha a ser comprado para o Brasil. O filme acompanha os ultimos anos de Auguste Renoir, o grande pintor impressionista, numa villa da Cote d`Azur. Cercado de mulheres, ele sofre terrivel;mente por causa de uma doenca, uma especie de artrite, degenerativa das maos e pes. Mas ele naoh desiste de pintar e redescobre, com uma modelo, Andree, dita Dedee, a fascinacaoh do nu. O filme trata de dois Renoir, da relacaoh entre pai e filho, Auguste e Jean, que virou o grande cineasta que todo mundo sabe. Os dois gravitam, por digfefrentes motivos, em torno de Dedee. No filme, Jean voltou ferido da guerra e vai partir de novo para o combate, Dedee serah sua mulher e atriz (com o nome de Catherine Hessling) e hah um terceiro Renoir, Claude, dito Coco, que tambem vai entrar para o cinema e virar grande diretor de fotografia. O filme foi feito com aporte da TV francesa e jah ouvi muita gente comentar que tem cara de telefilme. Eu me encantei com Michel Bouquet como Auguste Renoir e com a dupla de atores jovens que faz Jean e Dedee. Ela deve ter sido escolhida pelos seios, os mais redondos que jah vi, na medida exata, sem exagero. Ele eh a cara do jovem Jean Renoir, mas quando o vi na saida da sessaoh tive um choque. O cara eh pequeninho, parece um menino. Renoir/Bouquet diz coisas profundas sobre a dor, a arte, a vida, a beleza. Tido o que diz sobre a pele e a possibilidade de retrata-la na tela (poderia seria tambem a de cinema), eh muito rico e sutil, uma verdadeira aula de estetica. E das conversas entre pai e filho, ou do olhar de Jean sobre o mundo aa sua volta, nascem aas futuras obras-primas Une Partie de Campagne e A Grande Ilusaoh. Vi naoh apenas com emocaoh, mas com grande prazer. Na verdade, sendo honesto comigo, tenho de admitir que foi um dos filmes de que mais gostei. Tanta pretensaoh por parte de Leos Carax em Holy Motors- Figaro deu ao diretor a Palma do filme mais pretensioso -, tanta simplicidade chez Renoir.