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Luiz Carlos Merten

16 Abril 2008 | 10h11

Houve uma bonita homenagem a Grande Otelo no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, ontem à noite, com um clipe que mostrou cenas do pequeno (no tamanho) grande ator, em diversos momentos de sua carreira. Tenho a imnpressão de que qualquer crítico vai dizer que sua criação como Macunaíma, no filme de Joaquim Pedro de Andrade, foi o ponto alto da carreira de Otelo, mas eu já confessei várias vezes que prefiro o Joaquim mineiro ao tropicalista. Até como conseqüência, adoro o Grande Otelo que fazia dupla com Oscarito em chanchadas hoje reconhecidas como ‘clássicas’, mas tenho uma preferência nada secreta pelo Otelo trágico – e cachaceiro – que parecia pouco, mas quando aparecia era genial, em ‘O Assalto ao Trem Pagador’, de Roberto Farias. Mas, se estou falando no ator, agora, é para dizer que ninguém teve – ou então me passou despercebida – a sensibilidade de lembrar que morrera, horas antes do início da festa, Renata Fronzi. Não sei se vocês sabem, mas ela era argentina de nascimento, produto do acaso, porque sendo seus pais artistas ocorreu de eles estarem se apresentando acho que em Rosário. Renata fez teatro e, nas chanchadas da Atlântida, criou uma persona muito divertida de ‘madame’. Não tenho muita certeza, mas acho que era em ‘Guerra ao Samba’, de Carlos Manga, que Renata, casada com Ivon Cury, oprimia o marido, forçado a tomar um copo de leite quando a acompanhava às boates. No final, me lembro que ele se alforriava e pedia um copo de pinga (ou será que era de uísque?). Já contei mil vezes que a chanchada fez parte do meu universo infantil. Ontem até comentei sobre isso com Carlos Reichenbach. Via muita chanchada no antigo cinema Rival, em Porto Alegre. Como todo mundo, fui muito marcado por Oscarito, Grande Otelo, Eliana, Anselmo Duarte, Cyll Farney, mas eu gostava mesmo era da Violeta Ferraz e da Renata Fronzi. Violeta gritando que o petróleo é nosso no final da chanchada de Watson Macedo, lá por 1953/54, em plena campanha em defesa das riquezas mineirais do Brasil, é uma coisa muito viva na minha lembrança. Aquele vozeirão, aquele bigode. Se Violeta tivesse nascido na Itália seria a definitiva encarnação da ‘mamma’ felliniana. E a ‘grã-fina’ da Renata Fronzi era o máximo, principalmentre quando ela contracenava com o cafona do Zé Trindade. Heloisa Helena e Renata eram impagáveis – e tenho a impressão de que as duas se inspiravam nas ricaças que Ibrahim Sued celebrava em suas colunas sociais. Ibrahim Sued! Até hoje me admiro quando passo em frente ao Copacabana Palace e vejo a estátua dele. Este Brasil sempre foi um País de contrastes, mas agora já estou misturando demais…

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