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Luiz Carlos Merten

31 Maio 2007 | 14h14

Saí ontem da sessão de Band of Angels (L’Esclave Libre), de Raoul Walsh – no Brasil o filme se chamou Meu Pecado Foi Nascer –, para a exposição Rembradt e a Nova Jerusalém, no Museu da Cultura Judaica, na Rue du Temple, próximo a Notre Dame. Nos séculos 16 e 17, judeus que haviam se cristianizado em Portugal para fugir da Inquisição fugiram para a Holanda e se radicaram em Amsterdam, onde havia uma forte presença judaica. Lá retomaram seus costumes e tradições. Rembrandt transformou vários daqueles judeus em modelos para suas pinturas. Criou uma vasta obra de gravurista com temas bíblicos. Sei que houve uma exposição do Rembrandt gravurista aqui em São Paulo, mas fiquei chapado com o que vi ontem. O claro/escuro da pintura transferido para a gravura – com a criação de zonas de sombra! – me pareceu coisa de louco. Como que ele fazia aquilo? Se falo dessa exposição, não é só por sua importância, mas por outra coisa que me impressionou. Por momentos, diante de certas gravuras – Cristo no interior do templo, Herodes –, tinha a impressão de estar diante do storyboard de Ivan, o Terrível, de Eisenstein. Não tenho muito apreço pelo filme, admito. Acho que, ao radicalizar a destruição do espaço real dramático, Eisenstein se afastou do impacto de Potemkin e, especialmente em Ivan, fez do seu filme uma sucessão de planos que parecem quadros. Não vejo pathos naquilo, embora seja bonito de olhar, reconheço. Ontem, diante das gravuras do Rembrandt, julguei reconhecer o modelo para Eisenstein.

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