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Luiz Carlos Merten

10 Dezembro 2006 | 11h05

Embora a monarquia tenha sido abolida no País há 117 anos, o Brasil ainda tem um Rei (dos apaixonados e românticos), Roberto Carlos, e uma Rainha (dos baixinhos), Xuxa. Roberto é poderoso quando canta os detalhes do cotidiano e de uma relação (e o disco da Nara Leão cantando RC é uma das minhas obras-primas da MPB), mas já não tenho tanta paciência com o Roberto carolão de Jesus Cristo, embora ambos componham a mesma figura, e o mesmo mito. Um é indissociável do outro no imaginário do brasileiro. Meu problema com RC são os filmes, tecnicamente bons, mas que comprometem a carreira de ‘autor’ de Roberto Farias. Talvez o prolblema, realmente, seja meu e que RF não quisesse ser esse autor que erigi na minha cabeça com Cidade Ameaçada, O Assalto ao Trem Pagador e o meu favorito, Selva Trágica. Foi o fracasso de público do último, monumento viscontiano do cinema brasileiro, que o levou à comédia e a RC, em busca de comunicação. Mas eu nunca perdoarei a RF, já disse para ele, que ao fazer Pra Frente Brasil, criticando a alienação da torcida brasileira, em plena ditadura, não tenha se preocupado de lembrar que ele próprio, por volta de 1970, enquanto os militares torturavam e matavam e o povo comemorava o tri, sem se antenar para o que ocorria – o que fazia o nosso diretor? Estava fazendo A 300 Km por Hora. Teria sido mais honesto e uma forma de zerar o próprio passado uma dose de autocrítica. Por que estou dizendo isso? Para chegar à Rainha, Xuxa, mas agora você vai ter de ler o post seguinte.