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Luiz Carlos Merten

10 Outubro 2008 | 12h17

RIO – Estou aqui desde cedo na sucursal do ‘Estado’, fechando minhas matérias na edição de amanhã do ‘Caderno 2’. Nem tive tempo de comentar o encerramento do festival, ontem à noite, com a entrega do troféu Redentor aos vencedores da edição de 2008. Quando cheguei ao Cine Odeon BR, um passarinho me segredou os principais vitoriosos e a coisa me pareceu meio catastrófica, mas depois as coisas fizeram sentido, pelo menos na mostra de ficção. Posso preferir ‘A Festa da Menina Morta’ a ‘Se nada Mais Der Certo’, mas é uma escolha subjetiva e não elimina o fato de que acho que o segundo dá de 10 no filme anterior de José Eduardo Belmonte, ‘A Concepção’, do qual não havia gostado. ‘Se nada Mais…’ é melhor, mais denso, sem prejuízo das inovações narrativas e estruturais e ainda soma a tudo isso personagens que me interessaram muito mais do que os do filme precedente do diretor de Brasília, com quem conversei ontem, rapidinho, pela primeira vez (e o Belmonte me disse que costuma passear aqui pelo blog). ‘Se nada Mais…’ ganhou os Redentores de melhor filme e atriz, para Caroline Abras, que faz a garota lésbica da história, muito ‘joãozinho’. Confesso que achei tão diferente que perguntei quem era a loiraça, embora com cara de menina, que chegava com a equipe do filme. Silvana Arantes, a quem fiz a pergunta, disse brincando, no gauchês com que costuma falar comigo – ‘Mas tu não tem jeito…’ Daniel de Oliveira bisou seu prêmio de melhor ator de Gramado, por ‘A Festa da Menina Morta’, e o júri do Rio, integrado por Wieland Speck, do Festival de Berlim, corrigiu o equívoco do pessoal do evento do Rio Grande do Sul, que premiara a direção de ‘Juventude’. Matheus Nachtergaele foi o melhor diretor do Festival do Rio 2008, pela ‘Festa’. Adorei ter sido o mediador do debate sobre o filme dirigido pelo Matheus e produzido pela Vânia Catani, que também produziu ‘Feliz Natal’, de Selton Mello. Acreditem, mas eu não consegui ver o filme do Selton no Rio – as últimas exibições foram no dia da minha viagem a Belo Horizonte -, como já não tinha visto em Paulínea. Espero ver em São Paulo, na Mostra. Por favor! Acho que o júri errou mesmo a mão foi na premiação do melhor documentário. ‘Loki – Arnaldo Baptista’, de Paulo Henrique Fontenelle, foi, para mim, o melhor filme da Première Brasil, independentemente de bitola, formato e gênero. O júri premiou ‘A Estrada Real da Cachaça’, que talvez seja até mais inovador – ou queira ser – como linguagem, mas não me parece tão bom. ‘Loki’, de qualquer maneira, ganhou o prêmio do público e vai para a Mostra de São Paulo. Troquei duas ou três palavbras com o pessoal do Canal Brasil, que produz ‘Loki’ e eles não estão pensando em lançamento nos cinemas. Ouvi o argumento de que vai ser humilhante batalhar por duas ou três salas no Rio e em São Paulo, onde o documentário dificilmente ultrapassaria, pela modéstia do lançamento, a marca dos 100 mil espectadores que já tem, garantidamente, no Canal Brasil. De minha parte, estou pensando no público, mas de outra forma. ‘Loki’ merece ser visto numa tela grande, enorme, com som Dolby. Vou fazer campanha pelo filme nos cinemas. E você, atenção, fique de olho nas suas exibições na Mostra. Volto à tarde para São Paulo. O próximo post vai ser de lá, espero.