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Luiz Carlos Merten

06 Outubro 2006 | 10h22

Confesso que não há o que reclamar da premiação feita pelo júri presidido por Nelson Pereira dos Santos, no encerramento da Première Brasil do Festival do Rio 2006, ontem à noite, mas de alguma forma fiquei insatisfeito. Três ótimos filmes dividiram os troféus principais – O Céu de Suely foi melhor filme para o júri oficial; O Cheiro do Ralo foi o melhor para o júri da Fipresci, prêmio da crítica, atribuído aos filmes da Première Latina; e O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias venceu o prêmio do público. Todos receberam o troféu Redentor, que é como se chama, a partir de agora, o prêmio do Festival do Rio. Quase morri de vergonha porque todo mundo tirou sarro na saída, dizendo que eu batizei o troféu. Houve um especial antes da premiação, muita gente disse sua preferência – e a da maioria dos entrevistados na tela foi Carioca -, mas no cômputo final do público venceu Redentor, que eu também havia escolhido. E eu disse que Redentor termina em R, como o Oscar. Pode ser o nosso Oscar. É melhor que o Oscar, que a gente só precisa ganhar para ver que não precisamos dele. Avante com o festival! Hermila Guedes foi a melhor atriz, por Suely; Karin Aïnouz, o melhor diretor, por Suely; e Selton Mello e Sidney Santiago dividiram o prêmio de melhor ator, o Selton por O Cheiro do Ralo; Sidney, por Os Doze Trabalhos. Gosto dos dois, vibrei com o prêmio da crítica para O Cheiro do Ralo, mas foi o prêmio que mais me insatisfez. Não gosto de júris que não escolham entre coisas muito díspares. Achei o fim o de Gramado, que dividiu o Kikito de melhor filme entre Serras da Desordem, de Andrea Tonacci, e Anjos do Sol, de Rudi Lageman. Não tem nada a ver. O trabalho de Selton é uma composição espetacular (e ele estava afinzaço do prêmio); o de Sidney é uma criação mais naturalista, embora ele tenha colocado, ali, a técnica que desenvolveu no teatro e não o naturalismo que os preparadores de elenco buscam desenvolver em atores não profissionais. Acho que o júri deveria ter optado – ou dava para o Sidney, sozinho, e ele merecia, ou dava para o Selton, também sozinho, ou dividia entre ele e o Noel de Ricardo Van Steen, outra composição que a mim, pelo menos, impressionou muito. No geral, a premiação foi boa, mas houve um derrotado na Première Brasil. Jorge Durán não ganhou nada, nem do júri nem da crítica nem do público, por Proibido Proibir e, a menos que eu não entenda mais nada, foi injusto. É um belo filme, que você vai poder ver, como todos os demais, na Mostra de São Paulo, em duas semanas.