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Luiz Carlos Merten

04 Abril 2008 | 17h48

Saí do Reserva Cultural, onde havia assistido a ‘Falsa Loira’, almocei rapidinho no Viena do Top Center e enfrentei a Marginmal de Pinheiros para ir ao RoboCop, à cabine da Sony, para ver ‘Redbelt’. Não vou dizer que não esperava nada do novo filme de David Mamet porque seria mentira. Tenho a maior admiração por ‘O Cadete Winslow’ (The Winslow Boy), que ele adaptou da peça de Terrence Rattigan, filmada previamente por Anthony Asquith, por volta de 1950. Quando o entrevistei no Festival de Cannes, pelo filme, Mamet disse, modestamente, que achava a peça uma das melhores coisas já escritas, com uma carpintaria teatral de dar inveja.’Redbelt’ investiga agora o mundo do jiu-jitsu, mas os conflitos são os de sempre no cinema de Mamet. Um lutador tenta se manter fiel à tradição, mas o mundo cai ao seu redor, exigindo que ele assuma um compromisso contrário ao seu caráter. Imagino que alguém poderá dizer que os brasileiros são mal-retratados em ‘Redbelt’. Rodrigo Santoro faz um canalha que frausa lutas; Alice Braga é a princesa que trai o amado para tirar proveito. Mas a verdade é que ambos se aliam a americanos muito sem-vergonhas (os personagens de Tim Allen, ótimo como ator dramático, e Joe Mantyegna, o ator-fetiche de Mamet). E o fascinante deste conto mortal é justamente a forma como as coisas se encaminham para que o cinturão vermelho… Chega. O filme deve estrear nos EUA em julho. Espero que vá bem para sair por aqui e não ser jogado no DVD. Não me lembro do nome do ator que faz o protagonista, mas ele é superconhecido (e tem uma dignidade e um olho ferido que me encantaram). As cenas de lutas são as mais tensas que vi recentemente. Ainda bem que estava sozinho na cabine porque, participativo como sou, quase caí da poltrona, de tanto que me agitei. Embarco no domingo para Los Angeles, onde vou entrevistar a equipe do filme. Já sei as perguntas que quero fazer a David Mamet. Só espero que vocês venham a gostar do filme, também.