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Recife, lá vou eu

Luiz Carlos Merten

23 Abril 2007 | 09h09

Embarco daqui a pouco para o Recife, onde, à noite, começa o 11º Cine-PE. Adoro o festival criado (e levado com garra) pelo casal Bertini, Alfredo e Sandra, e cuja assessora, há anos, desde que freqüento o evento, é a Solange Viana, outro amor de pessoa. É todo mundo legal, mas o que faz o charme do Festival do Recife não é a atenção com que eles cumulam a gente – tenho certeza de estar falando no coletivo, por toda a imprensa –, mas o público do Cine-Teatro Guararapes, uma platéia calorosa que, não raro, ultrapassa 3 mil espectadores. Houve filmes brasileiros recentes, e filmes ambiciosos, importantes, que não fizeram este público nos cinemas. No Recife, fazem numa noite. o problema do Reciofe é que, muitas vezes, o festival teve de se contentar com uma seleção de segunda mão, exibindo filmes já estreados no centro do País ou já premiados em outros festivais (leia-se Gramado e Brasília). Este ano, o festival conseguiu uma bela seleção de inéditos, incluindo Cão sem Dono, do Beto Brant, que já vi, e considero o melhor filme dele, e Não por Acaso, do Philippe Barcinski, com Rodrigo Santoro, que estou louco para ver. Estou citando esses dois porque, de alguma forma, os acompanhei, mas estou muito aberto para todos os demais filmes que compõem a seleção de curtas e longas em competição. Participei da comissão da Petrobrás que premiou Cão sem Dono e, mesmo não gostando dos filmes anteriores do Beto, O Invasor e Crime Delicado, botei a maior fé neste projeto, que me encantou. Beto me surpreendeu. Fez um filme ainda melhor do que eu imaginava. O caso de Não por Acaso é diferente. Visitei o set e fiquei impressionado com o trabalho do Barcinski, que estava com o montador e planejava, com ele e o fotógrafo, as cenas de sinuca, filmando exatamente o que pretendia usar na edição. Nunca tinha visto um negócio desses e espero que tenha dado certo. Enfim, Recife, lá vou eu.