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Luiz Carlos Merten

23 Dezembro 2007 | 12h19

Entendi perfeitamente o ponto do Fábio sobre o roubo de obras de arte, mas é aquilo que falava. Nunca achei que fosse apenas privar os outros de desfrutarem a beleza. É algo mais – a compulsão, a obsessão e por isso citei ‘O Colecionador’, do Wyler, que tratava disso. Mas é o seguinte, pessoal. Estou no jornal, terminando uns textos, e na seqüência vou para o aeroporto. Vou hoje para Porto alegre e volto na terça. Não sei se terei condições de postar mais alguma coisa neste domingo, mas quero destacar duas ou três coisas. 1) Saiu hoje no Cultura do ‘Estado’ meu texto sobre ‘A Vida dos Outros’, como filme estrangeiro mais importante do ano. Pensei em escrever sobre ‘Ratatouille’, mas todo mumndo começou a achar que eu estava pirando. Terminei optando pelo filme alemão, vou deixar a animação para o blog. 2) Fui ver ontem ‘Bee-Movie’, que achei bonitinho (e as cenas de vôo me pareceram tecnicamente extraordinárias. O que a tecnologia digital permite fazer hoje em termos de perspectiva não está no gibi), mas tenho de admitir minha ignorância. Não sou muito chegado em séries de TV e o tal Seinfeld eu nunca tinha visto. Fiquei sem saber qual é a do cara. Aquele ‘abelhinha’ era para ter a cara dele? E que cara é essa? Se eu for pensar no Woody Allen de ‘FormiguinhaZ’, não é difícil – nem um pouco – identificá-lo naquele papel. E o Seinfeld? Confesso que, mesmo achando legal, me senti meio impossibilitado de analisar (ou descobrir) o cara a partir de ‘Bee-Movie’. 3) Fiz um programa duplo e, na seqüência da animação sobre a abelhinha, vi ‘Santos e Demônios’, do Dito Montiel. Que porrada! O filme é imperfeito, coisa e tal, mas é uma experiência visceral, do ponto de vista da interpretação. Em dois ou três momentos, quase surtei com Dianne Wiest, Robert Downey Jr. Shia Labeouf e Rosario Dawson. Tinha coisas ali que eu me sentia meio voyeur, invadindo a privacidade dos personagens, como se, em vez de filme, estivesse assistindo a um psicodrama. Talvez seja isso – as cenas são trabalhadas em bloco com os atores. Cada cena é uma fatia de vida que eles têm de viver, não interpretar. E o cara que faz Antônio? Saí chapado ontem à noite do Arteplex. Se isso vai resistir muito tempo, não sei, mas o impacto foi grande.