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Luiz Carlos Merten

01 Março 2009 | 12h46

Régis pergunta se eu revi ‘Os Três Macacios’ antes de escrever sobre o filme na edição de sexta do Caderno 2. Revi o filme na Mostra, sim. Régis me achou muito mais entusiasmado sobre o filme de Nuri Bilge Ceylan no texto de Cannes, no ano passado, mesmo que eu já reconhecesse que ‘Climats’ era melhor. Sem dúvida que meu texto de sexta era mais seco e objetivo, um pouco pelo espaço reduzido, mas também porque tenho pensado sobre os filmes do autor e porque, em Berlim, conversei repetidas vezes, com várias pessoas, sobre ‘Three Monkeys’ e elas eram todas menos entusiasmadas do que eu. Defendi o Nuri Bilge, mas talvez elas tenham me plantado a semente da dúvida. Mas eu lamento se passei a sensação de que não gosto daqueles céus carregados que Nuri Bilge retocou no computador, para tornar mais sombrios. Mesmo reconhecendo que aquilo está virando estilo, o panteísamo, que já defini como ‘trágico’, do autor é o que mais me fascina nele. Gosto daquilo e o plano que virou o pôster do filme, a mulher debruçada sobre a amurada, frente ao mar, com aquele céu que a esmaga, é uma imagem que carrego comigo do cinema de Nuri Bilge Ceylan. Estou muito curioso pelo próximo filme do diretor turco, que não sei qual será. Nuri Bilge vai se renovar? Vai continuar ajustando personagens e situações a uma visão que, mais do que de mundo, me parece de cinema? O que nos reserva o futuro do diretor? Considerando-se que ele é um dos quertidinhos de Thierry Frémaux, estará na seleção do próximo Festival de Cannes, em maio?