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Luiz Carlos Merten

19 Agosto 2011 | 23h44

Olá, são muitas novidades, de filmes, principalmente. Desde quarta não posto nada. Ontem perla manhã, fui à cabine de ‘Esses Amores’, de Claude Lelouch, na Reserva Cultural. Esse Lelouch, como a pequena do Peter Bogdanovich, é uma parada. Jean Tulard, no ‘Dicionário de Cinema’, começa lembrando o equívoco – ‘Acreditou-se estar diante de um grande talento inconformista.’ Por um momento, pensei que estivesse falando de Terrence Malick – ha-ha. E ele conclui, sobre Lelouch, citando a unanimidade da crítioca francesa – ‘É um industrial do amadorismo.’ Pois bem – adorei o novo Lelouch e estaria disposto a assinar embaixo de ‘Esses Amores’. A história, as histórias de uma mulher que amou demais, a forma como ele se projeta na trama, os anos da 2ª Guerra. Muito bacana. E aí o filme termina e Lelouch, durante uns bons 15 minutos, fica fazendo seu marketing, lembrando outras histórias de amor que dirigiu (e compõem sua ‘obra’). Uma m… Pois bem, de volta à redação, ontem, depois de almoçar, tinha matérias para redigir, não sobrou tempo para o blog. Hoje pela manhã, tinha o programa na rádio, mais matérias – filmes na TV,  a crítica de ‘Um Louco Amor’. Achei que me sobraria tempo para voltar ao blog, mas aí morreu Raoul Ruiz. Raúl! Sou do time que preferia que ‘Carlos’, de Olivier Assayas, tivesse ganhado o prêmio da crítica na Mostra passada, mas isso não significa que não tenha sido sensível a ‘Os Mistérios de Lisboa’ nem que seja insensível ao cinema de Ruiz, em geral. Conselheiro cinemastográfico da Unidade Popular de Salvador Allende, ele teve de abandonar o Chile após o golpe militar. Instalou-se na França e virou Raoul. Foi um dos mais prolíficos dos diretores – o mais? Não conheço, acho que pouca gente conhece, a obra completa de Raoul Ruiz, mas me bastam ‘Três Tristes Tigres’ e, depois, ‘Diálogo de Exilçados’, ‘L’Hypothèse du Tableau Volé’, ‘As Quatro Coroas do Marinheiro’ (meu preferido, ‘Três Vidas e Uma Só Morte’ e ‘O Tempo Redescoberto’ para ter a dimensão de um grande cineasta, um grande artista. Ruiz foi um homem de cultura que, no cinema, investigou as relações entre palavras e imagens, esculpindo uma obra de extraordinária riqueza e complexidade. Como Júlio Bressane, ele investiga a linguagem. Se Bressane, em seu exílio, tivesse escolhido Paris e não Londres – e tivesse ficado lá -, poderoia ser tãso grande quanto Ruiz. Falo em termos de prestígio e reconhecimentro. Dei o título de ‘O Senhor do labirinto’ à minha matéria no ‘Caderno 2’, que redigi às pressas, mas com imenso carinho. É o que gosto nos necrológios – da urgência. Ninguém me convence a deixar prontas matérias sobre artistas que poderão morrer (inesperadamente). Conto sempre com o impacto, que, para mim, é fundamental. Depois de fechar todas as matérias que tinha para as edições de sábado e domingo, fui almoçar e rumei para a cabine da Fox, onde assisti a… Tãtãtã! ‘O Planeta dos Macacos – a Origem’. Gostei demais. Vai ser o assunto do próximo post.