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Luiz Carlos Merten

16 Abril 2008 | 12h15

Nunca li, porque nunca encontrei, o romance que Raoul Walsh escreveu depois que encerrou sua carrweira em Hollywood com o western ‘Um Clarim ao Longe’, em 1964. Walsh viveu mais 16 anos, até 1980. Em algum momento, acho que nos 70, escreveu ‘A Cólera dos Justos’, que algum daqueles críticos franceses devotos do grande Raoul definiam como romance ‘shakespeariano’. Pela extensão de sua carreira, por ter sido ele ator, produtor e diretor, mas também por ter trafegado entre gêneros e dirigido os maiores astros de Hollywood, em todos – todos! – os estúdios, Jean Tulard, em seu Dicionário de Cinema, diz que walshm, por si só, resume a história de Hollywood. No período silencioso, ele fez, entre outros filmes, uma versão de ‘O Ladrão de Bagdá’ com Douglas Fairbanks. Os chamados gêneros viris – westerns, filmes de gângsteres e de guerra, aventuras nos mares – foram seus preferidos, mas Walsh deixou o legado de filmes muito interessantes investigando o universo feminino. Nos anos 30, ele já havia feito ‘Sereia do Alasca’, com outra notável descarada, Mae West, mas foi nos 50 que realizou seus melhores filmes ‘sobre’ mulheres. Só em 1956, foram dois – ‘Este Homem É Meu’ e ‘A Descarada’. No ano seguinte, surgiu ‘Band of Angels’, que no brasil se chamou ‘Meu Pecado foi Nascer’ e na Europa, na França e na Espanha, é ‘A Escrava Livre’. A cereja deste bolo é um filme bíblico que Walsh realizou em 1960 e que muita gente consdidera um corpo estranho em sua carreira, mas é uma súmula que o prepara para os testamentais ‘O Amor Custa Caro’ (Marines Let’s Go!) e ‘Um Clarim ao Longe’ (A Distant Trumpet). O post está ficando muito comprido. Continuo no próximo. Não sei se vocês estão interessados em ler, mas eu tenho imenso prazer, mesmo que seja solitário, escrevendo sobre Walsh.