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Luiz Carlos Merten

26 Maio 2010 | 16h50

PARIS – Cá estou em Paris (de novo), desde segunda. Na verdade, já estou no aeroporto, check-in feito para regressar ao Brasil, daqui a pouco. Estou acrescentando posts que redigi no hotel, mas não tinha conseguido postar, por falta de conexão. A vinda de Nice foi uma odisséia. O aeroporto fechou na segunda-feira. Estava um dia lindo, céu azul, sol forte (e quente). Justamente o calor produzia sei lá que efeito associado ao que ainda restava da nuvem do vulcão finlandês. Poucos voos saíram de Nice. O aeroporto estava cheio de celebridades. Marion Cotillard e Guillaume Canet, Kate Beckinsale, o diretor chinês de ‘Poetry’. Sobre Marion, procure na rede o site www.ladydior, não me lembro se com, ou org, ou net. ‘Lady Blue in Shangai’ é uma ‘pub’, estrelada por Marion, que está deslumbrante. Foi feita por David Lynch para a grife Dior. Não percam. Fiquei a segunda-feira em trânsito. Cheguei a Paris à noite, mal tive tempo de correr ao Reflets Médicis. Terminei indo ver ‘Feux Croisés’, Crossfire, de Edward Dmytryk, que foi lançado no Brasil acho que como ‘Rancor’. Conhecia o filme somente de ouvir falar. O livro de Richard Brooks trata da investigação sobre o assassinato de um homossexual. O tema era proibido em Hollywood, o gay virou judeu e o eixo do drama foi desviado para o antissemitismo. O curioso é que o subtexto tem a ver com o sexo. O personagem de Robert Ryan levanta suspeitas – que tipo de homem arrasta três soldados, três desconhecidos, para seu apartamento? E ele fica o tempo todo fazendo insinuações para ‘aquele’ tipo de gente. Qual, insiste o policial Robert Young? ‘Aquele’ – endinheirado, culto, suscetível, ‘sensível’. Hoje, ‘Crossfire’ poderia ser feito diferente, mas não creio que isso sigtnifique, necessariamente, melhor. Gostei de ver o filme.