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Luiz Carlos Merten

01 Fevereiro 2007 | 09h55

Achei legal a observação da Cláudia, que disse que eu devia ter dado outro título ao post sobre Dreamgirls. Ela foi ler esperando encontrar alguma coisa sobre o filme do Bill Condon e leu sobre a história de que que fiquei na mão, na fila. Cláudia sugere que eu devia ter chamado o post de ‘Fiquei na fila’. Fazendo uma psicanáliose rápida, acho que quis que os leitores compartilhassem minha frustração por não ter conseguido assistir a Dreamgirls. O pior, para mim, é que não sei se poderei ver o filme amanhã de manhã, na sessão para a imprensa. Vou hoje à noite a Santos, para assistir a Querô na abertura do Festival Internacional de Cinema que inaugura, para valer, o conjunto de salas que Adhemar Oliveira, do Espaço Unibanco e do Arteplex, instalou no shopping da praia do Gonzaga. Dizendo assim, até parece que conheço Santos, terra de Rubens Ewald Filho e José Roberto Torero. Moro há 19 anos em São Paulo e, desde que aqui estopu, fui duas vezes a Santos, no regime bate-volta. Na primeira, fui para entrevistar Gina Lollobrigida, experiência que se revelou muito divertida (quero acrescentar que tive a sorte de entrevistar também outras duas grandes divas italianas, Sophia Loren e Claudia Cardinale. Sophia veio ao Brasil no início do fenômeno Maria Fernanda Cândido e eu me lembro do espanto dela quando uma jornalista perguntou como ela se sentia quando comparada a Maria Fernanda, quando era justamente o contrário). Na segunda, fui para uma noite de autógrafos com Luiz Zanin Oricchio na livraria que o Torero tinha, não sei se ainda tem. Saímos de São Paulo debaixo de chuva e chegamos lá haviam acho que umas dez pessoas – não, estou otimista, tinha menos gente. Mesmo assim, foi uma noite agradável. Jantamos, conversamos e voltamos para casa. Não sei se consigo voltar hoje e, se voltar amanhã, perco o Dreamgirls. Não faz mal. Minha prioridade hoje é Querô. Li o roteiro quando participei de um concurso da Petrobrás, como jurado, e passei a acreditar no projeto, até porque o diretor Carlos Cortez fez aquele belo filme sobre o compositor Geraldo Filme e, depois, outro, se não me engano, sobre o Nenê de Vila Matilde (foi isso, não?). Querô foi filmado em Santos, na região do porto. Portanto, tem tudo a ver com essa vontade de revitalizar o cinema na cidade, seja como produção ou exibição. Um festival internacional, com muitas pré-estréias, num novo conjunto de salas, pode incrementar a cinefilia dos santistas. Quem sabe cria-se outra paixão, além da do futebol? Querô baseia-se no personagem do garoto filho de prostituta que se interna pelas quebradas da vida, de berro (revólver) na mão. Há exatamente 30, Stepan Nercessian interpretou uma outra versão da história de Querô, mas o filme, adaptado de Nas Quebradas da Vida, chamava-se Barra Pesada, com direção de Reginaldo Farias. Eram os anos de Lúcio Flávio (do Babenco) e surgiam aquelas histórias cheias de violência. Guardo uma memória meio vaga de Barra Pesada, mas sei que o filme está, num nicho na minha cabeça. Gostava das cenas vuiolentas e, em oposição a essas, das cenas do stepan com a Kátia D’Angelo, que estava maravilhosa e foi, tenho certeza, melhor atriz em Gramado. Querô, lá vou eu! Mas, antes, respondo a uma pergunta da Cláudia, em outro post.

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