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Luiz Carlos Merten

25 Maio 2008 | 06h15

CANNES – Havia jantado ontem no Mère Besson, um restaurante maravilhoso, no qual comi um filé de Saint Loup (peixe) que vale o caminho de São Tiago. Voltava para o hotel quando encontrei a produtora (Vânia Cattani) e o fotógrafo (Lula Carvalho) do filme de Matheus Nachtergaele, acompanhados de um argentino (Juan) que faz produção e estava aqui pelo mercado. Vânia não me cobrou, mas ficou tiste por eu não haver gostado do filme do Matheus, ‘A Festa da Menina Morta’. Eu também fiquei, e gostaria de ter encontrado mais coisas para elogiar do que aquelas que destaquei aqui (e na edição de ontem do jornal). Matheus é um grande artista e um cara sensível, visceral, que trabalhou oito anos neste projeto. Não estou tentando contemporizar nem me justificar. Ele fez, com honestidade e paixão, o filme que quis, como quis. Eu avaliei o filme com toda honestidade comigo mesmo, e sempre deixando claro que sou eu – viu, Poetizador? -, outros poderão gostar mais (e tomara que gostem muito). Mas temo ter colocado uma pilha na Vânia. Ontem, ao comentar a vitória do filme húngaro -‘Delta’, de Kornel Mundruzco -, fiz uma ponte com o Matheus e o cinema de Bruno Dumont. Não havia pensado nisso antes, mas conversando com a Vânia e o Lula, em frente ao Petit Majestic – bar que é um point tradicional de fim de noite aqui em Cannes -, me caiu a ficha de que Bruno Dumont preside o júri que vai outorgar a Caméra d’Or e ele poderá muito bem viajar na visceralidade do filme de Matheus, que tem muito a ver com a dele próprio. Quem sabe?