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Luiz Carlos Merten

24 Fevereiro 2008 | 13h11

Fui dar uma olhada nos comentários e encontrei o do Lacerda sobre Julie Christie, que ela venceu o Oscar (por ‘Darling, a Que Amou Demais) em 1965, aos 24 anos. Sabia tudo e isso e fui conferir. Pela data que coloquei – há 23 anos -, Julie teria vencido em 1985. Resolvi fazer um teste comigo mesmo. Em geral, não me lembro do Oscar do ano anterior. Agora mesmo, estou tentando me lembrar e só me veio o Oscar de coadjuvante do Alan Akin, por ‘A Pequena Miss Sunshine’. Forest Whitaker também? Por aquele horroroso ‘O Último Rei da Escócia’? Se ainda não esqueci, vou logo deletar da minha memória, em nome da sanidade mental. Lembro-me perfeitamente quem ganhou em 1965. ‘A Noviça Rebelde’, de Robert Wise, ganhou melhor filme e direção e mais um monte de Oscars, derrotando, entre outros, o David Lean de ‘Doutor Jivago’, cuja atriz, Julie Christie, a Lara, foi a melhor do ano por outro filme (o do John Schlesinger). Tenho certeza que Frederic Raphael, que depois escreveu ‘De Olhos bem Fechados’ para Kubrick, ganhou o Oscar de roteiro original, por ‘Darling’ (o de roteiro adaptado foi para Robert Bolt, por ‘Doutor Jivago’). Lee Marvin foi melhor ator, pelo western satírico ‘Cat Ballou’, de Elliott Silverstein, também interpretado por Jane Fonda (e que no Brasil se chamou ‘Dívida de Sangue’). Lembram-se? Lee Marvin fazia um pistoleiro bêbado, cujo cavalo, mais bêbado ainda, vivia caindo pelos cantos. Me lembro até quem ganhou como coadjuvante – Martin Balsam, por ‘Mil Palhaços’, do Fred Coe, e Shelley Winters, por aquele filme do Guy Green em que ela fazia a mãe da ceguinha Elizabeth Hartman. Bom, agora me faltou o título do filme. Era ‘Quando Só o Coração Vê’, alguma coisda assim. Em 1985, lembro-me de melhor filme, diretor, ator e atriz coadjuvante, respectivamente ‘Entre Dois Amores, Sydney Pollack, William Hurt (por ‘O Beijo da Mulher Aranha’) e Anjelica Huston (por ‘A Honra do Poderoso Prizzi’). Atriz e ator coadjuvante eu estaria chutando, porque apaguei. Tudo bem que, aos 60 anos, como tenho, a memória vai ficando traiçoeira e a gente se lembra mais de coisas antigas do que recentes. Mas tem a ver também outras coisas. Me lembro de Palmas e Ursos de Ouro recentes, mas o Oscar…? Acho que o ano divisor de águas para mim foi 1999. Quando ‘Beleza Americana’, do Sam Mendes, ganhou de ‘O Informante’, do Michael Mann, fiquei tão indignado que queria dar com o Oscar na cabeça de… Quem? Acho que na minha, por perder tempo com este prêmio babaca. Se ‘Cidadão Kane’, de Orson Welles, considerado o melhor filme de todos os tempos, ganhou só o Oscar de roteiro original (Welles e Herman Mankiewicz), não ganhou nem o de fotografia (para Greg Tolland), me digam se dá para levar o prêmio a sério? Eventualmente, eles até acertam – ‘O Poderoso Chefão’, 1 e 2 -, mas na maioria das vezes é o caos. Sintam-se à vontade para lembrar injustiças históricas, se tiverem vontade.