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Quem ainda acredita em nobreza de atitudes e caráter? Corra(m) para ver O Passageiro

Luiz Carlos Merten

09 Março 2018 | 00h04

Estou voltando do cinema. Acabo de ver O Passageiro, o novo Jayme Collet-Serra, com Liam Neeson. Bom p’a cacete. O que nos faz, me faz, vibrar com os feds deles, mais que com os nossos? Bem, para começar, os diretores deles são melhores, e os atores, também. Sugiro que as pessoas de bem parem de ler imediatamente esse post, porque ele vai ter linguagem chula. Qualquer diálogo de filme de Hollywood tem fuck e son of a bitch, que às vezes até são traduzidos, mas via de regra, não. Neeson faz um cara fodido. Tive simpatia por ele, porque também ando me sentindo assim, embora não pelos mesmos motivos. Neeson está pressionado a conseguir dinheiro para a faculdade do filho. É demitido, e quase na mesma hora recebe de uma desconhecida, no trem, uma propostas atraente. Indecente? também. Ele deve apenas identificar uma pessoa no trem, e não se preocupar com o que vai ocorrer com ela. Um assasinato? Possivelmente. Em troca, Neeson ganha US$ 100 mil, que ajudariam bastante a resolver seu problema. No desespero, ele topa, mas como é um homem ético resolve recuar – ou é por que o dinheiro voou pela janela? Ocorre que Vera (havia escrito Fera) Farmiga, que fez a proposta, o está monitorando por celular. O tempo esgota-se, morre um monte de gente. A pessoa que deve morrer sabe demais num caso de corrupção envolvendo governo e polícia. Quem você pensa que é, para acreditar em atitudes nobres, Neeson tem de ouvir. Ocorre que ele, como bom herói de Hollywood, onde se tecem essas fantasias – vi hoje no SPTV, antes de sair para o cinema, um flagrante de violência policial, Liam Neeson neles! -, vai agir como o homem nobre que sua consciência lhe obriga a ser, e isso faz toda a diferença Nada de muito novo como tema, exceto algumas surpresas sobre os bad guys da história, mas muito bem feito, como Collet-Serra sabe fazer, e com Neeson tornando o cansaço e a indignação veementes. Naturalmente que a ideia dos estranhos no trem, e a proposta que Vera faz a Nesson, vêm de Alfred Hitchcock, Strangers on a Train, Pacto Sinistro, com um toque de Stanley Kubrick, ou Dalton Trumbo, numa cena pontual, e magnífica, de Spartacus. Collet-Serra é cinéfilo, mas você não precisa conhecer suas referências para desfrutar da ótima ação. O Passageiro nem estava na lista das estreias que me passaram do Divirta-se, ou então, burramente, deixei passar. Descobri que o thriller de ação estreava hoje – perdão, já é ontem – ao ver pela manhã a cabine do próximo filme sobre o qual pretendo falar.