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Cultura » Que viva México!

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Luiz Carlos Merten

23 Janeiro 2007 | 12h27

Confesso que fiquei aborrecido porque Cinema, Aspirinas e Urubus não ficou entre os nove indicados pela Academia de Hollywood para concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro, anúncio feito na semana passada, anterior às indicações finais de hoje. Gosto demais do filme de Marcelo Gomes e me irrita que os gringos sejam incapazes de assimilar a riqueza e originalidade de uma obra que é universal sem prejuízo de suas (fortes) raízes brasileiras. Acho a releitura que o Marcelo faz do Cinema Novo uma coisa genial, mas você não precisa ter Vidas Secas, Deus e o Diabo nem Os Fuzis para apreciar as belas qualidades do filme dele. Enfim, ainda não foi desta vez que o Brasil exorciza seu complexo de inferioridade no Oscar. Acho que temos de ganhar esta m… de estatueta só por uma questão de amor-próprio e para ver que ela não vai mudar nada, embora talvez mude a relação do público com a produção nacional. Dos cinco indicados, meu favorito é O Labirinto do Fauno, de Guillermo Del Toro, mas acho legal que Dias de Glória tambem tenha sido indicado. Em Cannes, no ano passado, foi muito bonito ver a euforia de todos aqueles descendentes de pieds noirs vibrando com os prêmios que o filme recebeu no festival. Os argelinos, nascidos na colônia francesa no norte da África, não eram considerados cidadãos franceses, ou eram cidadãos de segunda categoria, mas podiam alistar-se no Exército e morrer como heróis, defendendo a França, que os maginalizava, dos agressores nazistas. Acho que Dias de Glória já tem distribuidor no Brasil. Será o Jean-Thomas, da Imovision? O André Sturm, da Pandora? Seria o caso de lançar logo o filme para capítalizar a indicação. Depois, se não ganhar, por melhor que seja o impacto não será o mesmo sobre o público. Afinal, somos todos colonizados pelo Oscar. Para concluir – que tonto que sou! Só agora me dei conta de que o México pode ser duplamente vencedor. Melhor filme, com Babel, o que não é difícil (se é merecido é outra coisa) e melhor filme estrangeiro, com O Labirinto. Como diria Eisenstein – que viva México!