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Cultura » Que qui é aquilo?

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Luiz Carlos Merten

02 Fevereiro 2011 | 09h07

Havia visto ‘Biutiful’ somente em Cannes, no ano passado. Inclusive, não tive tempo de rever o filme antes de entrevistar Alejandro Ganzález-Iñárritu, por telefone, antes da estreia, na semana passada. Não renego a entrevista, mas ela, com certeza, teria sido outra. Fui rever ontem. Gostei bem mais. É o melhor Iñárritu, o que prova, para mim, que o artifício que regia a circularidade das multitramas de seus filmes anteriores era muito mais um defeito do roteirista Guillermo Arriaga, que Iñárritu tentava salvar com a mise-en-scène. Meu amigo Dib Carneiro foi junto. No final, ele parecia alma penada. Depois de meia hora de boca calada me disse que vai ser preciso um mês de comédia romântica, todo dia, para enfrentar a dureza da vida novamente. É interessante como ‘Biutiful’, não sendo necessariamente ‘espírita’, se inscreve nessa onda de filmes ‘além da vida’ que assola o cinema mundial, não só o brasileiro. E, assumo, pode ser preconceito, pois ainda não vi ‘O Discurso do Rei’ – pode até ser que venha a gostar, e muito, do filme de Tom Hooper, que deve dar o Oscar de ator para Colin Firth. Colin é bom – deveria ter ganhado o Oscar por ‘O Direito de Amar’, de outro Tom, o Ford -, mas já impliquei com sua interpretação do pai de Elizabeth II. Gente, é realeza inglesa demais, isso não vai acabar nunca? Um rei, e ainda por cima gago, disléxico, sei lá, é tudo o que Hollywood mais gosta. Duvido, deixem-me repetir, du-vi-do que Colin Firth consiga ser melhor do que o Javier Bardem de ‘Biutiful’. Que qui é aquilo? Um Oscar, outro Oscar, para Javier Bardem, por favor.