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Luiz Carlos Merten

28 Abril 2008 | 10h37

Estou aqui na Redação do ‘Estado’, na maior corrida para já deixar algumas matérias prontas. Daqui a ponto tenho de correr para o aeroporto. Meu vôo para o Recife é às 12h30 e o Cine-PE começa às 19 horas. Ou seja – vôo, aeroporto, hotel, Cine-Teatro Guararapes, vai ser uma correria só e, por via das dúvidas, eu já estou correndo desde que cheguei aqui, pela manhã. Mas não posso deixar de acrescentar um post. Fui ver ontem à noite ‘O Romance do Vaqueiro Voador’, às 20h30, no Arteplex. Assisti ao filme sozinho, numa sessão comercial – não era cabine – porque não havia mais ninguém interessado em assistir ao filme do Manfredo caldas. Tudo bem – a virada cultural estava acabando e digamos que o público em potencial passou o sábado e o domingo correndo atrás de outras coisas. (também havia uma miséria de gente para ver ‘Dois Destinos’, na sessão cinéfila do Unibanco, no meio-dia de sábado). Para complicar, não havia visto o filme – embora tivesse recebido um DVD – e, como conseqüência, não saiu nada no ‘Caderno 2’. Já deixei um texto pronto e gostaria muito que entrasse no ‘Caderno 2’ de amanhã. Gostei demais. ‘O Romance do Vaqueiro Voador ‘é um filme de difícil classificação. É documentário, mas não no formato tradicional. É muito mais uma colagem poética – como ‘Castelar e Nelson Dantas no País dos Generais’, de carlos Prates -, que venceu o Kikito de melhor filme no Festival de Gramado do ano passado. O diretor Manfredo caldas se baseou no poema de João Bosco Bezerra Bonfim, por sua vez inspirado pelo filme ‘Brasília segundo Feldman’, de Vladimir Carvalho. Grande Vladimir! No ano passado, comemoraram-se os 100 anos de Oscar Niemeyer. O filme de Manfredo bem poderia ter estreado ainda em 2007, para colocar um pouco de pimenta no banquete do centenário. Conta-se, nele, outra história sobre a fundação de Brasília, do ângulo dos vaqueiros voadores – sertanejos nordestinos que foram trabalhar nas obras e, sem nenhuma segurança, muitos (quantos?) voavam dos andaimes para a morte. Cordelistas vão contando a história e o filme tem esse aboio do vaqueiro desgarrado de sua terra, de sua tradição, perdido naquele Planalto central e na monumentalidade daquela cidade/escultura de concreto. Coisa mais linda (e triste)! Luiz Carlos Vasconcelos tem aquele olho agoniado, de boi ferido. Fiquei chapado! Não tenho mais tempo de escrever agora, mas, pelamor de Deus, vão ver ‘O Romance’. Se gostarem, recomendem aos amigos, como dizem os caras de teatro, no fim da apresentação. Se não gostarem, podem usar meu nome – digam aos meus inimigos, que não sei se tenho, que vejam para saber como, e quanto, eu enlouqueci. Mas não enlouqueci, não. ‘O Romance do Vaqueiro Voador’ é bom, só é preciso que vocês o descubram.