Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Que m…!

Cultura

Luiz Carlos Merten

12 Abril 2009 | 10h07

PORTO ALEGRE – Havia salvado o post anterior, sobre ‘Território Restrito’, quando me dei conta de que não falei de dois personagens, que formam um casal, interpretados por Ray Liotta e Ashley Judd. Amo Ashley Judd, e vocês sabem disso. Ela faz a advogada que, logo no começo, vai falar com a agente de imigração, sobre o caso da garota islâmica. A mulher despeja aquele discurso ‘bushiano’. Ashley a olha com a perplexidade que seria, ou é, a reação decente diante da ‘gravidade’ do caso. No filme, a advogada é casada com um oficial da imigração que valida vistos de permanência, o Green Card, nos EUA. Ray Liotta é o intérprete do papel. O personagem é um monstro, infelizmente humano (humano até demais). Usa o cargo para prostituir uma garota, mas é um infeliz que vai ser… Vejam ‘Território Restrito’. Vocês se arriscam a tomar um choque com Ray Liotta. Há quase 20 anos, o filme é de 1990/91, ele estourou com ‘Goodfellas’ (Os Bons Companheiros), um dos grandes filmes de Scorsese. Era um homem bonito, cheio de vitalidade, sensual – e se ajustava perfeitamente ao papel. Depois, Liotta fez vários filmes sobre personagens obsessivos. Lembro-me dele como o policial que sentia uma atração fatal por Madeleine Stowe, casada com Kurt Russell (espero não estar trocando as bolas). Tomei um susto quando Ray Liotta entrou em cena em ‘Território Restrito’. Se o personagem se revela um monstro, o diretor Wayne Kramer exagerou escolhendo um ator monstruoso. Liotta fez plástica, colocou botox, sei lá, todas esses recursos de quem busca a eterna juventude, mas que quando dão errado acabam com uma pessoa. No caso dele, deu errado (mais um). Por que Ray Liotta fez isso consigo mesmo? Basta compará-lo com Harrison Ford. Disse que estava chocado. Talvez não seja o termo. Soa exagerado. Fiquei triste, triste mesmo. Que m…!