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Luiz Carlos Merten

26 Abril 2008 | 19h47

Ia sair para o teatro (e a virada cultural), mas me ocorreu que ainda me devo um post. Ontem à tarde, estava na Redação e fui tomar café. As máquinas ficam junto a uma TV que está sempre ligada. Passava ‘Deep Impact’ (Impacto Profundo), de Mimi Leder, na Sessão da Tarde da Globo. Na recente visita a El Paranal – ao set do novo 007, no Chile – , o chefe dos astrônimos citou ‘2001’, do Kubrick, e ‘Contato’, de Robert Zemeckis, como os melhores filmes de ficção científica do cinema. E ele disse, o que concordo, que o problema, muitas vezes, não é ser má ciência, é ser má ciência e pior ainda como ficção, casos, para ele, justamente de ‘Deep Impact’ e ‘Armageddon’. A cena que estava passando era aquela em que a onda gigantesca avança sobre Nova York. Fiquei vendo e aí chegou o Jotabê Medeiros. Comentamos sobre a tecnologia. Se fosse possível levar um filme desses ao passado, aos anos 30,40 e 50 e até depois – ‘Impacto Profundo’ é de 1999 -, as pessoas iam se assustar, de tal forma aquilo parece ‘real’. O filme tem uma alegoria sobre a sagrada família no desfecho – Elijah Wood sobe o morro com a garota que conduz o bebê e, quando eles chegam no alto, o cometa destruído pelo sacrifício de Robert Duvall (e dos demais astronautas) explode como fogos de artifício no céu. Até aí, tudo bem. O que mais me impressionou foi o que não deixa de ser uma ironia. Não me lembrava, na verdade, fazia tanto tempo que não via o filme que me havia esquecido. A onda destrói Nova York. Rebenta a ponte do Brooklyn, decepa a cabeça da Estátua da Liberdade. Só restam… O quê? As Torres Gêmeas. Que coisa!