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Cultura » Que chato? Que saco!

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Luiz Carlos Merten

06 Novembro 2009 | 09h52

Perdeu a graça. Antigamente, até se podia falar mal da cerimônia de encerramento da Mostra, como comédia de erros etc e tal. Mas ninguém fala mal só por falar, para marcar posição – bem, algumas pessoas, sim, mas deixa pra lá. O problema é que Leon Cakoff e Renata de Almeida devem ter colocado na cabeça que isso faz parte do charme do evento e todo ano se esmeram para piorar um pouco. O encerramento, ontem, foi num palco ao ar livre na Cinemateca. Foi montado um telão para a projeção de ‘Lebanon’. Confesso que não fiquei para o filme, um pouco porque a cerimônia atrasou muito, mas principalmente porque não me pareceu boa ideia projetar ao ar livre um filme que procura levar o espectador a compartilhar a experiência claustrofóbica de estar dentro de um tanque de guerra. Espero ver o ‘Lebanon’ hoje. Volto à cerimônia. O céu encobriu e nada de começar. Só quando caíram os primeiros pingos, 10 e tanto da noite, foi que os apresentadores Serginho Grossman e Marina Person declararam os trabalhos abertos. Por que esperaram tanto? Para que a chuva nos purificasse? Para distribuir a capa com o selo da Mostra no lacre? E os manés, como eu, que chegaram bem antes do horário anunciado? A cerimônia foi chata, longa, com problemas de som. Em vários momentos, tentava ouvir o que as pessoas diziam – o interminável discurso, cheio de avaliações estéticas, da representante do Itamarati – e nada. Me valia dos amigos ao redor – posso estar surdo –, mas ninguém também sabia nada de nada. Uma colega chegou a sugerir – ‘Não estressa que, no final, eles dão o release e a gente fica sabendo…’ Gostei de ‘meio’ prêmio da crítica, o de melhor filme nacional para ‘O Sol da Meia-Noite’, de Eliane Caffé, mas, mesmo admirando Bahman Ghobadi e reconhecendo a importância de ‘Ninguém Sabe dos Gatos Persas’ como registro da cena underground iraniana, nunca – never – que o filme dele merece o prêmio dado pelos coleguinhas como melhor filme estrangeiro da 33ª Mostra. Mas, já que ganhou, permitam-me dizer que aquele rapper merece. O júri internacional optou – por unanimidade, segundo Suzana Amaral, que foi sua porta-voz – pelo filme sul-coreano “Voluntária Sexual’. Isso, de tão estapafúrdio, merece um post especial.