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Luiz Carlos Merten

19 Junho 2007 | 14h14

Ainda não falei com meu colega Jotabê Medeiros, meu mentor em assuntos de quadrinhos. Assistimos agora pela manhã a Quarteto Fantástico 3, numa cabine da Fox. De cara, fui informado por Renata Cajado, que faz a assessoria da empresa, que gorou o que poderia ser a cereja do bolo – na próxima segunda, parte do elenco (dois dos quatro) deveria vir ao brasil, mais exatamente ao Rio, para a pré-estréia. A viagem foi cancelada. Ainda não sei o que JB achou do novo filme de Tim Story, que assina a série toda, mas achei muito divertido. Tem, inclusive, uma piada ótima com Stan Lee, o pai das crianças. O Surfista Prateado é um personagem cult das HQs, embora nunca tenha tido uma história própria. Lembro-me do fascínio que ele despertava sobre o Jesse Lujack de Richard Gere em A Força de Um Amor (Breathless), remake que Jim McBride fez, nos EUA, do cult Acossado, de Jean-Luc Godard – e que, me atrevo a dizer, é melhor que o original. Por mais interessante que seja o filme de Godard, de alguma forma ficou datado. E o uso que McBride, que estudou na USP, faz da cultura pop (rock, HQS) é muito legal. Enfim, JB pode me esclarecer melhor, mas achei o Surfista um personagem de melodrama. Não sei se ele já é assim ou se foi uma invenção do diretor, mas gostei. Um anti-herói trágico, romântico, capaz de… Não conto o quê para que não digam que estou estragando a surpresa. Mas, enfim, chego ao número 3. Das quatro seqüências – quatro filmes de número 3 – que estão sendo os grandes blockbusters do verão americano, gostei do Homem-Aranha e agora do Quarteto e não gostei, decididamente, de Piratas do Caribe nem de Shrek. A propósito do Piratas, devo dizer que fui no outro dia ao Arteplex e tem lá um cartaz avisando que no fim dos créditos há uma cena de um minuto. Alguém me diga o que é, por favor, porque não sabia disso e não agüentei esperar até o fim daqueles créditos intermináveis. Mas o que quero é comentar o seguinte. Cada vez mais, o cinemão investe nos filmes grandes – ia escrever grandes filmes, mas o sentido não é o mesmo. Os blockbusters fornecem os números e desenham os grandes sucessos do ano. Homem-Aranha e Piratas já eram responsáveis, há quase um mês, por um fantástico faturamento de US$ 2 bilhões. Os executivos de Hollywood devem estar rindo à toa. Temos, hoje em dia, o supercinemão e um cinema que, no mercado, é mais miúra, formado por pequenos filmes (na verdade grandes) como Um Lugar na Platéia ou o nacional Cão sem Dono. O próprio cinema brasileiro, que disputa esse mercado, tem os filmes de 2/3 milhões de espectadores e os que ficam abaixo de 100 mil (abaixo de 10 mil!) como maioria. O problema é que está havendo um achatamento. Os blockbuster explodem, os miúras implodem. Não sei onde isso vai levar, mas acho que não é bom para o futuro do cinema.