Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Quando as boas intencoes nao ajudam

Cultura

As informações e opinões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Cultura

Quando as boas intencoes nao ajudam

Luiz Carlos Merten

11 Fevereiro 2007 | 14h45

BERLIM – A sessao do meio-dia foi do novo filme de Bille August, Goodbye Bufana, sobre o periodo em que Nelson Mandela esteve preso, na Africa do Sul. Tudo eh visto pelos olhos do carcereiro de Mandela, interpretado por Joseph Fiennes. Foram quase 30 anos de convivencia, durante os quais desenvolveram uma relacao de respeito e amizade, alem de expressar, na desconfianca e na aproximacao, a propria situacao sul-africana no processo para enterrar o apartheid. Bille August pertence ao seletissimo grupo de diretores que ganharam duas vezes a Palma de Ouro – por Pelle, o Conquistador e As Melhores Intencoes. Em seus melhores momentos (Pelle), ele eh um narrador classico extraordinario, mas hah tempos que August virou carta fora do baralho, trabalhando num esquema de co-producao internacional que o aniquilou. Eh bom lembrar a segunda Palma de August, porque boas intencoes ficam longe, bem longe, das melhores intencoes (esteticas). Ateh por lidar com personagens reais, num estilo respeitoso, Goodbye Bafana lembra o academicismo hagiografico de Richard Attenborough, que tambem tratou do apartheid em Um Grito de Liberdade. A historia eh bonita, digamos que o filme tem seus momentos de dignidade, mas eh impressionante como August faz as escolhas mais banais no desenvolvimento de sua trama. Agora, me deem licenca – estou indo correndo para a coletiva de Cartas de Iwo Jima. Amanhah tenho meu encontro com Ken Watanabe, mas Clint nao tem chance. Ele cancelou todas as entrevistas em Berlim. Participa da coletiva, mostra o filme no Palast e amanhah cedo retorna aos EUA, alegando compromissos inadiaveis que podem estar ligados ao Oscar, nao sei (mas vou tentar descobrir).