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Qual é a surpresa?

Luiz Carlos Merten

26 Abril 2009 | 14h33

Paulo Sales acrescenta seu comentário ao post ‘Os 50 +’. E cita dois filmes que ele acha que não vou gostar. Para surpresa do Paulo – espero – são dois filmes dos quais gosto muito. Um deles, ‘História real’, de David Lynch, não está habilitado a entrar na lista – os 50 melhores filmes do século 21 – porque, como produção de 1999, pertence ao século ‘passado’. Já contei diversas vezes que tenho um sentimento ambivalente em relação a Lynch. Gosto de ‘O Homem Elefante’, ‘Veludo Azul’ e ‘História Real’, que me parece seu melhor filme e é a própria negação do tipo de estranhhamento que ele gosta de criar na tela. Não apenas ‘História Real’, o filme, é bom. O ator, Richard Farnwsorth, um veterano dublê que havia trabalhado em westerns de John Ford, é maravilhoso. Farnsworth foi indicado para o Oscar pelo papel. Perdeu não me lembro para quem e muito me entristeceu quando li, depois, que ele, paciente terminal, se havia matado. O outro filme que Paulo Sales gostaria de acrescentar à lista é ‘Ninguém Pode Saber’, de Hirazoki Kore-eda. O filme é de 2001, portanto, poderia integrar a lista, mas não o encontrei. Nunca perdoarei o tal Quentin Tarantino, que presidia o júri de Cannes naquele ano. Como uma atitude política, o júri outorgou a Palma de Ouro a Michael Moore, por ‘Fahrenheit 11 de Setembro’, como parte da campanha contra a (re)eleição de George W. Bush. Não adiantou – a besta teve direito a segundo mandato (o primeiro havia sido fraudado) com o apoio do eleitorado conservador e religioso do meio-Oeste e grandes filmes, como o de Kore-eda, receberam prêmios menores no maior evento de cinema do mundo. O filme japonês foi o mais penalizado de todos porque, no loteamento dos prêmios, o que lhe sobrou foi o de melhor ator, para o garotinho, cujo nome nem lembro. Se ainda tivesse recebido o de direção, ou o especial do júri… O garoto era ótimo, mas era evidente que se tratava de um prêmio de consolação. Kore-eda é um de meus autores favoritos. ‘Maborosi’ e ‘Depois da Vida’ são cults que carrego comigo. O segundo, então, reflexão sobre a morte (e portanto, a vida) e o cinema é uma coisa de louco.

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