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Luiz Carlos Merten

19 Outubro 2010 | 15h49

Fui ontem à tarde entrevistar Wim Wenders, que montava no Masp a exposição de suas fotos que abre amanhã, precedendo a inauguração, na quinta, da 34ª Mostra. Leon Cakoff, o sr. Mostra, tem a maior cara de pau. Sua assessoria marcou minha entrevista com Wenders para a tarde, para dar tempo que a ‘Folha’ fizesse antes a matéria e publicasse hoje a entrevista. Em parte, explica-se. A Mostra é um evento da concorrência, mas não é o outro jornal que paga as contas e sim, a Petrobrás, que talvez devesse ter a preocupação com transparência que os outros não parecem ter. Mas, enfim, é uma reflexão minha, que muito provavelmente não interessa aos leitores e, na Mostra, é sempre assim. Stop. Adorei o Wenders. Já o entrevistei outras vezes, em outros carnavais, e ele é sempre afável, crítico em relação ao próprio trabalho. A exposição tem um título sugestivo – ‘Lugares estranhos e quietos’. De cara, entrei e vi aquele quadro com a imagem da pequena cidade e aquela lanchonete que parece pertencer a um quadro de Edward Hopper. Observei que era digna de ‘A Estrela Solitária’, seu belo filme com Sam Shepard, e Wenders me disse que, embora a imagem não esteja no filme, a cidadezinha é em Montana, onde ele filmou a história do caubói que foge do set e, ao descobrir que tem um filho, parte em busca do garoto, agora adulto. Wenders me falou quanto gosta de ‘Até o Fim do Mundo’ – e como a nova versão de 4h40, que será exibida na Mostra, modifica o filme que estreou há quase 20 anos – e também de ‘Tão Longe, tão Perto’, que considera injustiçado (é uma das obras do seu coração). Puxei o assunto para os festivais, para o fato de ele ter sido presidente do júri de Veneza, há dois ou três anos. Vocês vão gostar – alguns, pelo menos – do comentário dele. Não tive tempo de falar mal de ‘O Lutador’, de Darren Aronofsky, com Mickey Rourke, porque Wenders foi logo dizendo que tem o maior orgulho de sua escolha. Os outros filmes eram muito ruins. Não tenho ideia de como eram ‘crab’, segundo ele. Não tive espaço para contar isso no texto de amanhã do ‘Caderno 2’, por isso estou colocando aqui, agora.

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