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Cultura » Psicanalise da violencia

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Luiz Carlos Merten

22 Maio 2012 | 07h44

CANNES – Entrei pela madrugada assistindo ao novo Takeshi Miike, Ai to Makoto, que terminou as 3 da manhah (daqui). Havia adorado o Hara-kiri do diretor, mas essa misrtura de animeh, musical e artes marciais me pareceu bem indigesta. Estava taoh cansado que perdi a hora e tive de recuperar o Andrew Dominik, Cogan – Killing Them Softly, um pouco mais tarde, o que nao me impediu de participar da coletiva. Dominik fez aquele Jesse James sensacional, com Brad Pitt, e os doisd retyomam a parceria numa historia de gangsteres. O livro em que se basearam eh anterior aa era Barack Obama, mas transformou a histopria de ajustes de contas num  retrato da crise economica. A toda hora, clipes da campanha de Obama e do ex-presidente George Bush ulustravam diferentes posicionamentos perante a instabilidade finacerira (e formas de resolve-la). No mundo do crime, ejh tudo maisd facil;. Pisou na bola e hah sempre um matador como o personagem de Pitt para fazer o servico – clean up the mess, e da forma mais `gentil` possivel. Naturalmente que o tema da violencia dominou o debate, com o subtexto politico, alias, o texto politico, de tal forma o background parece domionar a propria trama. Naoh faltaram as tradicionais perguntas politicamente corretas – Brad eh pai, nao tem problemas que seus filhos vejam filmes como este? -, o que motivou o diretor a invocar Bruno Bettleheim e sua analise dos contos de fadas, em que a violencia – e a morte, a mutilacaoh, o incesto – fazem parte de um repertorio para que a crianca comece a elaborar seus traumas (e perdas). Avancando na psicanalise, Dominik lembrou o humor dos Irmaos Marx e esclareceu que o trio representava Id, ego e superego, aplicando a seu filme a mesma divisaoh na construcaoh dos personagens. Killing Them Softly seria, ou eh, uma comedia, mas nao contem para ninguem, como observou alguem na mesa. Dominik eh inteligente, brilhante, mais ateh que o filme, mas Killing Me Softly tem potencial para virar cult,. embora eu ache que tenha sido forcaoh de barra do Thierry Fremaux para criar o evento `Drive` deste ano.De qualqwuer maneiora, amei a frase final de Pitt. Obama, eleito, faz um discurso conciliador, unifiocando o povo, a nacaoh e Pitt, alias, Cogan arremata que os EUA, a `America`, naoh eh uma nacaoh, mas um negocio. Business.  Bem interessante. Esqueco-me de dizer que Pitt veio com um look aa Tristan, seu personagem em Legends of the Fall, que Edward Zwick adaptou de Jim Harrison (lembram-se?). Longas melenas loiras, mas se passaram 20 anos e o frescor jah se foi, o que naoh impede as coleguinhas de babarem por ele. Gostaria de acrescentar outro post, ou de misturar esse com alguma reflexaoh sobre o novo Ken Loach, The Angel`s Share, que tambem olha para a crise, mas tenta encara-la, e resolve-la, de forma diferente. Agora, naoh dah. Vou comer rapidinho para ver o Bertolucci. Corto meus pulsos se perrder Io e Te.