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Luiz Carlos Merten

08 Outubro 2008 | 13h12

RIO – Tenho de sair para almoçar e ver filmes, mas não resisto a postar duas provocações. Aliás, estou tendo de postar de novo, porque já havia redigido o texto quando apertei sei lá que tecla e perdi tudo. Mas eu insisto. Uma se refere a ‘Rinha’, que detestei e isso foi motivo para que muita gente me detonasse. Teve um que me cobriu de desaforos e disse que eu me limitara a cuspir meu ódio contra o filme, sem analisá-lo. Mas eu analisei, uma análise preliminar, como tenho feito e que esperava que vocês captassem (bem – houve quem captasse). Mas a questão é a seguinte. Soube de fonte segura que o diretor Marcelo Galvão apresentou à comissão de seleção do Festival do Rio uma versão de mais de duas horas de ‘Rinha’. Para a exibição, ele trouxe outra versão, com meia-hora a menos e o problema é que tudo o que o filme tinha de mais interessante, a ponto de justificar sua inclusão na Première Brasil, havia sido jogado no lixo. Pelo que entendi, e a fonte é confiável, o próprio Marcelo Galvão estragou seu filme na edição. Mas por que ele fez isso? Para tornar seu filme mais comercial? Mais de duas horas seriam excessivas, quem sabe. É isso? O que sobrou foi o lado sanguinário, ‘Mortal Kombat’. Fiquei com curiosidade de ver a íntegra de ‘Rinha’. Quem sabe o filme não melhora mesmo?
A outra provocação é para o Artur. É aí, bróder, sobreviveu à crise que está derrubando os mercados de todo o mundo? Artur me esculhambou, me chamando de burro, ignorante e papagaio de clichês contra o neoliberalismo econômico, por causa de um post anterior. Economia, realmente, não é minha praia, mas está claro que também não é a do presidente Bush (nem a do Artur, ouso crer). Na medida do possível, tenho lido algumas interpretações da crise por especialistas norte-americanos e os caras, com muito mais conhecimento e profundidade, dizem exatamente – ó céus – algumas coisas que eu, na minha ignorância, havia listado. Fui jantar ontem com Silvana Arantes e Beatriz Coelho num ótimo árabe de Copacabana, o Amir, após assistir a ‘Romance’. De volta ao hotel, dei uma zapeada e caí no programa de Jay Leno, que entrevistava uma tal de Noonan, que fez uma análise da devastação provocada por Bush Jr. em seus oito anos à frente da Casa Branca. Todo mundo bate na mesma tecla – o plano salvacionista de Bush se preocupa (preocupava) mais em salvar os altos salários dos executivos de Wall Street do que os mercados. Ela batia, o Leno batia ainda mais. Depois de ver a entrevista, concluí, cá com meus botões, que o certo seria estacionar um camburão na lateral da Casa Branca e trancafiar o Bush quando ele passar o poder, em janeiro. Mas, claro, isso não vai ocorrer e o mercado vai ter de assimilar o rombo de US$ 1,4 trilhão, segundo o FMI.