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Luiz Carlos Merten

14 Junho 2007 | 15h38

Mais duas ou três pessoas já vieram me provocar hoje na redação do Estado, dizendo que o segundo capítulo da microssérie A Pedra do Reino foi ainda mais incompreensível que o primeiro. Vou devolver a provocação – no domingo, associando-se às homenagens que Ariano Suassuna recebe na passagem de seus 80 anos, o Canal Brasil exibe (às 18h35) Os Trapalhões no Auto da Compadecida. Acho que os que consideram Luiz Fernando Carvalho muito hermético poderão penetrar com mais facilidade no universo mágico de Ariano. Ah-Ah. Temo estar sendo injusto com Roberto Farias, a quem respeito, mas não consigo perder a piada. O Auto, é bom lembrar, teve três versões no cinema. A primeira, de George Jonas, nos anos 60, com Armando Bogus e Regina Duarte, ganhou um prêmio importante no antigo Festival do Rio (aquele que Leopoldo Torre-Nilsson venceu, na segunda edição, com Martin Fierro). Chamava-se só A Compadecida. A segunda foi a de Roberto Farias, com os Trapalhões, que ainda eram um quarteto. Em 2000, veio a versão de Guel Arraes, primeiro como microssérie e, depois, vertida para o cinema. LFC não quer, e duvido que, pelo formato, mesmo se ele quisesse seria difícil, talvez impossível, transpor Hoje É Dia de Maria e, agora, A Pedra para o cinema. O Auto de Guel faz a passagem muito bem. Adoro. E Selton Melo, Matheus Nachtergaele e Marco Nanini são magníficos nos papéis.