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Projeto Flórida e a fórmula ‘indie’

Luiz Carlos Merten

04 Março 2018 | 08h40

Fui ver ontem Projeto Flórida. O longa de Sean Baker cravou apenas uma indicação no Oscar, e foi a de melhor ator coadjuvante para Willem Dafoe. É absurdo. Como único ‘astro’ do elenco, o nome de Dafoe é o que aparece primeiro e, do ponto de vista técnico, provavelmente só a menina aparece tanto ou mais que ele. Dafoe não leva, de qualquer jeito, mas a indicação é, no mínimo, discutível. O post vai ter spoiler, aviso. A ideia parece interessante. Os excluídos do sonho americano. A Flórida, paraíso dos brasileiros. Ali ao lado fica o universo encantado da Disney, mas a pequena Moonie e sua mãe habitam um motel vagabundo que, de mundo mágico, só tem o nome. Dafoe faz o gerente do estabelecimento. Moonie vive ao Deus dará, e não porque a mãe não a ame. Não é por aí. A própria mãe ainda é criança – imatura. Vira-se como pode para conseguir o dinheiro para pagar o motel. Entregues a elas mesmas, as crianças aprontam – Moonie, Scooty. Se fez seu primeiro longa, Tangerine, com Iphone, Baker, agora com mais recursos, não desgruda da trilha indie. Filma o que parecem cenas esparsas, desconexas. O óbvio ululante. Cria uma sensação de perigo. Algo vai ocorrer para Moonie. O espectador pressente que a coisa vai terminar mal, mas o diretor, que não sabe como terminar seu filme, parte para o mundo encantado. Avisei que tinha spoiler. Como é que é? Critica a fantasia em nome do realismo, mas se rende a ela? Estou cansado – desse Oscar, inclusive. A festa é hoje à noite. A estrela solitária que o filme leva é pela garota que faz Moonie. Uma graça.